Especialista da ONU pede que governos reduzam gastos militares e invistam no desenvolvimento humano

Gasto militar global chegou a 1,75 trilhão em 2012. Perito da ONU pede que governos priorizem pesquisa de fontes sustentáveis de energia, promoção dos direitos civis e do desenvolvimento sustentável.

Veículo multi-uso de alta mobilidade de rodas, conhecido como HMMW. Foto: Mike Baird (Creative Commons)

Veículo multi-uso de alta mobilidade de rodas, conhecido como HMMW. Foto: Mike Baird (Creative Commons)

No Dia de Ação Global sobre gastos militares, marcado nesta segunda-feira (14), o especialista independente das Nações Unidas sobre a promoção de uma ordem internacional democrática e equitativa, Alfred de Zayas, pede a todos os governos para que informem e justifiquem antecipadamente ao público sobre as suas despesas militares.

“Toda democracia deve envolver a sociedade civil no processo de elaboração de orçamentos, e todos os setores da sociedade devem ser consultados para determinar quais são as prioridades reais da população. Empreiteiros militares e outros representantes do complexo militar-industrial não devem ser autorizados a ‘sequestrar’ essas prioridades em detrimento das necessidades reais da população”, declarou de Zayas.

Com base na pesquisa representativa de opinião, os parlamentos devem implementar a vontade do povo e reduzir significativamente os gastos militares, seja na área de produção de armas, de pesquisa militar, bases militares no exterior, da vigilância de cidadãos privados, da coleta de ‘inteligência’, ou nas operações militares, secretas ou não.

As receitas fiscais devem ser reorientadas para a promoção dos direitos civis políticos, econômicos, sociais e culturais, para a pesquisa de fontes sustentáveis de energia e para a promoção do desenvolvimento sustentável.

Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo, os níveis de gastos militares globais constituem um uso excessivo de recursos. Em 2012, os gastos chegaram a um total de 1,75 trilhão de dólares.

Em um mundo onde milhões de seres humanos vivem em extrema pobreza, morrem de desnutrição e falta de cuidados médicos, e onde as pandemias continuam matando – disse o relator da ONU – é imperativo prosseguir as negociações para o desarmamento e redirecionar os orçamentos de produção de armas, guerras estimuladas e a vigilância de cidadãos privados para enfrentar os desafios globais, incluindo a ajuda humanitária, proteção ambiental, mitigação e adaptação das mudanças climáticas, a prevenção de pandemias e o desenvolvimento de uma economia sustentável.

A Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 da ONU só poderá ser alcançada, concluiu, se os governos mudarem seus hábitos de consumo e priorizarem o reforço da segurança nacional e internacional por meio da promoção dos direitos humanos.