Especialista da ONU pede diálogo para combater a violência contra as mulheres no Sudão

“O silêncio e os desmentidos sobre o tema da violência vivida por mulheres é uma fonte de preocupação”, declarou Rashida Manjoo.

Mulheres internamente deslocadas seguram seus bilhetes de racionamento enquanto esperam por uma distribuição do Programa Mundial de Alimentos em Mastura, no Oeste de Darfur, Sudão. Foto: ACNUR / Helen Caux

Mulheres internamente deslocadas seguram seus bilhetes de racionamento enquanto esperam por uma distribuição do Programa Mundial de Alimentos em Mastura, no Oeste de Darfur, Sudão. Foto: ACNUR / Helen Caux

As partes interessadas do Sudão devem manter mais diálogos abertos e construtivos como uma prioridade para resolver o silêncio e a negação dos crimes contra as mulheres, declarou uma especialista das Nações Unidas para os direitos humanos após a sua recente missão ao país.

“O silêncio e a negação, seja por parte das autoridades estatais ou por muitos participantes da sociedade civil, sobre o tema da violência como a vivida por mulheres, é uma fonte de preocupação”, disse Rashida Manjoo, relatora especial da ONU sobre a violência contra as mulheres.

Relatórios e entrevistas demonstram que as mulheres e meninas no Sudão vivem em profunda desigualdade, subdesenvolvimento, pobreza e ambiente por vezes hostil. Isso não ocorre somente nas esferas públicas e privadas, mas também existe em zonas de conflito e de não-conflito, de acordo com a declaração de Manjoo ao fim de sua missão no país. Particularmente preocupante, ela acrescentou, é a mutilação genital feminina e os casamentos prematuros.

“A questão do acesso à justiça e da própria justiça, por crimes experimentados por mulheres e meninas, requer atenção, especialmente através da abordagem do déficit de responsabilização que parece ser a norma no Sudão por crimes de gênero”, concluiu Manjoo.