Especialista da ONU condena ataques na República Centro-Africana e pede melhor proteção para civis

A especialista independente das Nações Unidas sobre a situação de direitos humanos na República Centro-Africana condenou veementemente ataques recentes contra vilarejos no município de Ouham-Pendé, que deixaram mais de 49 mortos entre 19 e 21 de maio.

“Para grupos armados reivindicarem seus lugares no processo de paz, eles precisam colocar imediatamente um fim à violência”, disse Marie-Thérèse Keita Bocoum.

Mulheres e crianças deslocadas em um acampamento improvisado na cidade de Paoua, República Centro-Africana, no norte do país. Foto: Yaye Nabo Sène/OCHA

Mulheres e crianças deslocadas em um acampamento improvisado na cidade de Paoua, República Centro-Africana, no norte do país. Foto: Yaye Nabo Sène/OCHA

A especialista independente das Nações Unidas sobre a situação de direitos humanos na República Centro-Africana condenou veementemente ataques recentes contra vilarejos no município de Ouham-Pendé, que deixaram mais de 49 mortos entre 19 e 21 de maio.

“Para grupos armados reivindicarem seus lugares no processo de paz, eles precisam colocar imediatamente um fim à violência”, disse Marie-Thérèse Keita Bocoum.

“Eles também precisam lembrar que podem ser processados tanto por envolvimento direto na delegação destes atos hediondos ou pela posição de comando em relação a seus subordinados quanto pela influência e pelas responsabilidades como superiores.”

De acordo com informações repassadas à especialista independente, os ataques nos vilarejos de Koudjili, Ndondjom, Bohong, Lemouna e Koui, que aparentam terem sido coordenados, foram realizados por combatentes do grupo 3R.

“Estes ataques podem ser classificados como sérios crimes se for provada a natureza coordenada e planejada, assim como a intenção dos autores de matar uma grande parte da população destes vilarejos”, disse Bocoum.

Segundo a especialista, a maior necessidade atual é proteger populações, e o Estado tem a principal responsabilidade nesta área. Ela encorajou as autoridades, com apoio da missão das Nações Unidas de manutenção da paz na região, a MINUSCA, a fortalecerem patrulhas conjuntas nas áreas atingidas.

“Também é responsabilidade do Estado colocar ações públicas em vigor para processar os autores destes atos”, disse, pedindo para a MINUSCA apoiar as autoridades neste contexto. A especialista também instou líderes do grupo armado envolvido a assumirem suas responsabilidades ao facilitarem as investigações, a justiça e a responsabilização dos supostos autores.

“Tais ataques possivelmente prejudicam o sucesso do processo de paz”, disse.

Marie-Thérèse Keita Bocoum destacou a responsabilidade de todos, em especial os organizadores do processo de paz, de tomarem as medidas necessárias, incluindo sanções estabelecidas para o acordo de paz, e o uso da força para silenciar armas e garantir paz e justiça, de acordo com as exigências legítimas dos centro-africanos.