Especial Copa do Mundo: Coreia do Norte, primeiro adversário do Brasil

A Seleção Brasileira de futebol estreia daqui a pouco, nesta terça-feira (15), contra a seleção da Coreia do Norte na Copa do Mundo de Futebol da FIFA, realizada na África do Sul. Denominada oficialmente República Popular Democrática da Coreia (RPDC), o país tem, ao longo da sua história, se caracterizado por ser misterioso, isolado cultural e politicamente. O Centro de Informação das Nações Unidas (UNIC Rio) apresenta um breve resumo dos principais acontecimentos do país desde suas origens.

Mapa da Coreia do Norte. Fonte: UNA Seleção Brasileira de futebol estreia hoje (15) contra a seleção da Coreia do Norte na Copa do Mundo de Futebol da FIFA, realizada na África do Sul. Esta é a primeira vez que uma Copa do Mundo é realizada no continente africano.

O Mundial da África do Sul é a segunda Copa do Mundo de futebol na qual participa a Coreia do Norte. Em 1966, o país se classificou para as quartas-de-final. Agora, em seu retorno após 44 anos, o país mantém uma postura de sigilo e cautela não apenas com relação a suas táticas de jogo, mas também no tocante aos pronunciamentos à imprensa por parte de toda a equipe de futebol (mais detalhes ao final).

A Coreia do Norte – oficialmente República Popular Democrática da Coreia (RPDC) – tem, ao longo da sua história, se caracterizado por ser um país misterioso, isolado cultural e politicamente. O UNIC Rio apresenta um breve resumo dos principais acontecimentos do país desde suas origens.

História

A fundação da República Popular Democrática da Coreia se deu em 1948, como consequência direta da derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial e inserida no contexto das tensões internacionais que desencadearam na Guerra Fria. Em 1910, tropas nipônicas assumiram o controle da Península da Coreia e só saíram em 1945, quando as tropas aliadas tomaram o controle da região, dividindo suas áreas de atuação a partir do Paralelo 38, sendo o sul administrado pelos Estados Unidos e o norte pela União Soviética.

Em 1947, a Coreia do Norte convocou eleições com a proposta de unificação socialista do país e a saída progressiva das tropas soviéticas e americanas para o fim das influências externas. Ante à negativa do Sul, foi estabelecida formalmente a República Popular Democrática da Coreia. Em 1950, tropas norte-coreanas invadiram a Coreia do Sul em nome da reunificação e da chamada “Libertação da Terra Mãe”. A ONU decidiu enviar forças lideradas pelos Estados Unidos, que lançaram o contra-ataque e deram início à Guerra da Coreia. O conflito durou aproximadamente três anos (1950-1953), ocasionando terríveis perdas humanas e materiais pra ambos os países e mantendo a divisão da península.

Reunificação

Apesar de nenhum acordo de paz ter sido assinado por nenhuma das partes, atualmente os dirigentes políticos de ambas as Coreias estão comprometidos com um processo de reunificação pacífica. Com mais de 5.000 anos de história comum, a reunificação poderia parecer simples e inevitável, mas encontra obstáculos nas diferenças culturais surgidas nos últimos 60 anos, assim como na grande desigualdade econômica entre os países. Existe o medo de que a forte economia sulcoreana entre em colapso após a unificação.

Programa nuclear

A Coreia do Norte possui um programa nuclear existente desde meados dos anos 60, quando especialistas treinados na União Soviética criaram um complexo de pesquisa atômica em Yongbyon, cidade próxima a Pyongyang. Em 1985, autoridades norte-americanas anunciaram a presença de um reator nuclear em Yongbyon e a Coreia do Norte foi pressionada a assinar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Em 2003, a Coreia foi acusada de manter um programa clandestino e decidiu sair do TNP.

Em 2006, a Coreia do Norte realizou seu primeiro teste nuclear, que foi condenado pela ONU e pela comunidade internacional. O Conselho de Segurança, em sua Resolução 1718 do mesmo ano, determinou a aplicação de uma série de sanções econômicas à Coreia do Norte. Em 2009, foi registrado um novo teste nuclear realizado pelos norte-coreanos, gerando medo e decepção na comunidade internacional.

No último dia 07 de junho, o Conselho de Segurança aprovou em resolução unânime a extensão do mandato dos especialistas que monitoram o programa nuclear norte-coreano desde junho de 2009. O mandato trata de sanções das Nações Unidas sobre a República Popular Democrática da Coreia (RPDC). O Conselho insistiu que todos os Estados-Membros, a ONU e outras partes interessadas apresentem à comissão competente “todas as informações de que disponham sobre a aplicação das medidas impostas pelas resoluções 1718/2006 e 1874/2009”. Além disso, para estender o Painel de Peritos até 12 de junho de 2011, a resolução aprovada na semana passada solicitou ao grupo apresentar ao Conselho um relatório de meio período, até o prazo de 12 de novembro deste ano.

A Resolução 1718, aprovada pelo Conselho logo após a acusação de Pyongyang (capital da Coreia do Norte) ter conduzido testes nucleares em outubro de 2006, impôs sanções contra o país e exigiu que cessasse sua busca por armas de destruição em massa. E em junho de 2009, o Conselho aprovou a Resolução 1874, impondo uma série de medidas à Coreia do Norte, incluindo inspeções mais severas de carga suspeita de conter itens proibidos relacionados às atividades nucleares e mísseis balísticos do país. Um embargo de armas mais rigoroso, com exceção das armas ligeiras e novas restrições financeiras. Isto se deu na sequência do teste nuclear de 25 de maio de 2009, conduzido em “violação e flagrante de desrespeito” das resoluções do Conselho. O teste foi condenado pelo Conselho, que exigiu que a Coreia do Norte “não realize mais nenhum teste nuclear ou lançamento usando a tecnologia de mísseis balísticos”.

Incidente com navio de guerra

No começo de junho, a Coreia do Sul pediu formalmente ao Conselho de Segurança que investigue o naufrágio de um de seus navios de guerra. A República da Coreia – nome oficial da Coreia do Sul – alega que os ataques foram realizados pela vizinha Coreia do Norte.

No mês passado, Seul divulgou conclusões de um relatório internacional em que declara que seu o navio Cheonan foi atingido por um torpedo oriundo do país vizinho no final de março, reivindicando as vidas de 46 dos seus soldados.

Em um discurso à Korea Society no início deste mês, em Nova York, o Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon observou que o incidente é um “forte lembrete” da urgência em garantir a paz duradoura e a estabilidade na região. “Estou confiante de que a comunidade internacional e o Conselho de Segurança atendarão ao chamado para uma posição unificada em prol da paz”, concluiu.

Coreia do Norte na Copa

O Mundial de 2010 é a segunda Copa do Mundo de futebol na qual participa a Coreia do Norte. Em 1966, o país se classificou para as quartas-de-final, tendo participado de 16 jogos na fase eliminatória para a Copa – com 9 vitórias, 5 empates e 2 derrotas – e 4 jogos no torneio principal. Agora, em seu retorno após 44 anos, o país mantém uma postura de sigilo e cautela não apenas com relação a suas táticas de jogo, mas também no tocante aos pronunciamentos à imprensa por parte de toda a equipe de futebol.

Tal postura tem levado a mídia a questionar se isso ocorre apenas pelo fato dos jogadores não falarem inglês fluentemente, como justifica o técnico Kim Jong-Hun, ou se é uma questão política, seguindo as determinações do regime de Kim Jon-Il.

Recentemente a rede de televisão sul-coreana SBS acusou o serviço de televisão da Coreia do Norte (KBS) de ter pirateado seu sinal para transmissão da partida entre a África do Sul e o México, a primeira da Copa 2010. Entretanto, a Asia-Pacific Broadcasting Union afirmou que a Coreia do Norte transmitiu o jogo de forma legal. Nesta terça-feira (15), o sindicato do setor audiovisual asiático confirmou que o país conseguiu o direito de transmissão pela FIFA, assegurando não ter havido pirataria.

A próxima partida da equipe norte-coreana será contra Portugal, dia 21, na Cidade do Cabo – mesma seleção que eliminou os asiáticos em 1966, nas quartas-de-final. A Coreia do Norte encerra a fase de grupos contra a Costa do Marfim, dia 25, em Nelspruit.

(Por Javier Abi-Saab, Juliana de Paiva Ferreira e Clarissa Montalvão)