Esforços em prol de vítimas de enchentes no Paquistão demandam mais recursos, alerta ONU

Agências de ajuda humanitária das Nações Unidas pediram nesta sexta-feira (29) o envio emergencial de recursos adicionais para os esforços em prol das vítimas das enchentes no Paquistão. Segundo a ONU, milhões de pessoas correm o risco de ficar sem comida, abrigo e roupas quentes a partir da chegada do inverno, que se aproxima.

Mulheres e crianças no acampamento Colônia Sultan, perto da cidade de Multan, no PaquistãoAgências de ajuda humanitária das Nações Unidas pediram nesta sexta-feira (29) o envio emergencial de recursos adicionais para os esforços em prol das vítimas das enchentes no Paquistão. Segundo a ONU, milhões de pessoas correm o risco de ficar sem comida, abrigo e roupas quentes a partir da chegada do inverno, que se aproxima.

Martin Mogwanja, coordenador humanitário da ONU no Paquistão, alertou que os suprimentos de emergência de alimentos para as pessoas afetadas pelas enchentes vão acabar em dezembro, a não ser que mais recursos sejam recebidos.

Com o inverno a caminho, sete milhões de pessoas ainda não possuem habitação adequada ou mantas, cobertores e roupa quente, de acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA). O pedido de U$ 2 bilhões para ajuda as vítimas das enchentes do Paquistão, a maior jamais lançada pela ONU e seus parceiros para uma catástrofe natural, está coberta atuamente em 39%.

A porta-voz do OCHA, Elisabeth Byrs, ressaltou a necessidade de mais contribuições para o apelo lançado, destacando que alguns setores-chave como a saúde alimentar, a segurança e a coordenação e gestão foram “seriamente sub-financiados”. A ajuda humanitária, notavelmente na província de Sindh, onde 7,2 milhões de pessoas permaneceram afetadas pelas enchentes, foi vital antes do inverno, Byrs disse a repórteres em Genebra. A água tem diminuído em alguns lugares, mas isso pode levar mais de seis meses antes que outras áreas sequem.

Ela acrescentou que um milhão de pessoas estão vivendo em abrigos temporários ou em acampamentos em Sindh, mas a ajuda humanitária está sendo limitada pela falta de contribuições, principalmente no setor alimentar. “A resposta humanitária em Sindh deve ser intensificada”.

Inverno preocupa

O Alto Comissário da ONU para os Refugiados (ACNUR) acredita que dezenas e talvez centenas de milhares de pessoas terão que permanecer nos acampamentos durante todo o inverno, devido ao fato de que o nível da água ainda se mantem alto em partes de Sindh e Baluchistão.

O porta-voz da agência, Adrian Edwards, disse que os mais atingidos pelas enchentes – pessoas afetadas pela pobreza extrema, pela perda de meios de subsistência e outras vulnerabilidades – podem precisar de abrigo por mais tempo ainda.

Ele acrescentou que abrigo, utensílios domésticos, alimentos e água potável continuam a ser as maiores necessidades. Na medida em que o inverno se aproxima, o ACNUR recebe cada vez mais solicitações para fornecer cobertores e colchas.

Diretora da OMS visita o país

A Diretora-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) terminou uma visita de três dias ao Paquistão, durante a qual esteve em unidades de saúde em diferentes partes do país e se reuniu com autoridades de saúde e com o presidente do Paquistão. Ela discutiu os esforços de recuperação e as necessidades de saúde contínua.

Margaret Chan também lançou um programa de poliomielite no norte do Paquistão e visitou os centros de tratamento da diarreia e da nutrição na província de Sindh. As principais preocupações sanitárias no no país são as infecções respiratórias agudas, as suspeitas de malária, a diarreia aguda e doenças de pele.

O porta-voz da OMS Paul Garwood afirmou que, em resposta às preocupações em torno de doenças diarreicas e cólera, mais de 60 centros de tratamento de diarreia foram estabelecidas nas áreas afetadas pela enchente. Dengue e novos casos de poliomielite também estão aparecendo em algumas partes do país, acrescentou Garwood.

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