Escritório de direitos humanos da ONU lamenta violência na Venezuela e pede diálogo

Representante regional para a América do Sul do ACNUDH pediu ao governo que investigue recente onda de violência que deixou pelo menos três mortos, vários feridos e cerca de 80 manifestantes detidos.

Manifestantes contra e a favor do governo entraram em confronto na Venezuela. Foto: Telám/AVN (via Agência Brasil)

Manifestantes contra e a favor do governo entraram em confronto na Venezuela. Foto: Telám/AVN (via Agência Brasil)

O representante regional para a América do Sul do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), Amerigo Incalcaterra, lamentou nesta quinta-feira (13) os incidentes violentos no contexto das recentes manifestações na Venezuela.

De acordo com informações disponíveis, a recente onda de violência deixou um saldo de pelo menos três pessoas mortas, vários feridos e cerca de 80 manifestantes detidos, incluindo um menor de idade. O representante do ACNUDH expressou solidariedade com as famílias das vítimas.

Incalcaterra pediu a todas as pessoas e grupos que se abstenham de recorrer da violência, privilegiando “a qualquer momento os espaços para o diálogo”.

“Recorrer à violência não é um meio para reivindicar direitos”, disse ele.

O representante também destacou que “o Estado deve garantir em todo momento o devido exercício do direito de reunião pacífica e do direito à liberdade de opinião e de expressão”.

“Estes direitos são fundamentais e essenciais para uma democracia vibrante”, acrescentou.

Incalcaterra solicitou ao Estado que “investigue o possível envolvimento de grupos armados nestes atos violentos”, lembrando de sua “obrigação de investigar prontamente, completamente e imparcialmente as mortes e os possíveis casos de uso excessivo da força, de acordo com seus compromissos internacionais”.

O representante também expressou preocupação com relatos de intimidação e ataques contra defensores dos direitos humanos e jornalistas que cobrem as manifestações.

Ele também instou as autoridades a garantir que o pleno respeito ao devido processo e que os detidos sejam levados imediatamente a um tribunal para serem julgados num prazo razoável ou libertados.

Finalmente, Incalcaterra fez um “chamado para o diálogo participativo entre todas as partes interessadas na busca de acordos e soluções para a situação atual”.