Escolas sustentáveis de El Salvador são certificadas em concurso da Fundação Banco do Brasil

Iniciativa de alimentação escolar de El Salvador passou a fazer parte do Banco de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil. Foto: PMA / Vinícius Limongi

A iniciativa de Escolas Sustentáveis, desenvolvida pela prefeitura de Atiquizaya, no Departamento de Ahuachapán, em El Salvador, foi selecionada entre 12 boas práticas internacionais certificadas pelo Prêmio de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil 2017.

Com esta certificação, a iniciativa em alimentação escolar passa a fazer parte do Banco de Tecnologia Social (BTS) da Fundação que, atualmente, conta com 995 iniciativas aptas a serem replicadas. O BTS é uma base de dados online que reúne metodologias reconhecidas que promovem a solução de problemas comuns em diversas comunidades. Os interessados em conhecer todas as tecnologias podem acessar a página da Fundação na Internet.

As iniciativas certificadas foram reconhecidas como soluções que têm um impacto positivo e eficaz na vida das pessoas, que já foram aplicadas local, regional ou nacionalmente, e que podem ser replicadas em maior escala.

Em 15 de agosto, o comitê da Fundação divulgará os três finalistas. Em novembro, será realizado um evento de premiação no qual será anunciado o nome do vencedor. Este ano ocorre a nova edição do Prêmio de Tecnologia Social.

Pela primeira vez, foram abertas candidaturas para iniciativas internacionais em uma categoria especial que inclui os temas: água e meio ambiente, agroecologia ou cidades sustentáveis, todos eles relacionados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Celebrado a cada dois anos, o prêmio é considerado um dos principais do terceiro setor no Brasil. Para a edição 2017, o concurso conta com a cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil e o apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Para a coordenadora regional do projeto de Fortalecimento de Programas de Alimentação Escolar na América Latina e no Caribe, da Cooperação Internacional Brasil-FAO, Najla Veloso, as inovações tecnológicas no marco das políticas de alimentação escolar incidem em diversas áreas da vida dos estudantes, especialmente na saúde e na educação, o que também favorece o conquista dos ODS nos países da região.

El Salvador

Desde 2013, a prefeitura de Atiquizaya, no Departamento de Ahuachapán, realiza a iniciativa municipal Escolas Sustentáveis, com o objetivo de estabelecer uma referência para a implementação de Programas de Alimentação Escolar Sustentáveis (PAES) por meio da articulação entre diferentes setores; da participação social; da educação nutricional e alimentar para a promoção de hábitos saudáveis por meio de hortas escolares; a adoção de cardápios adequados; bem como a compra de produtos da agricultura familiar local para a alimentação.

Participam da iniciativa 22 centros escolares do município, beneficiando 7.034 estudantes em idade escolar inscritas no sistema de educação pública.

Segundo a prefeita de Atiquizaya, Ana Luisa González, impulsionar uma política de alimentação e segurança alimentar e nutricional foi um grande desafio para o governo local, já que conseguir as mudanças de atitude na população requer um esforço integral de todos os atores, esforço que até agora teve os resultados desejados.

“Para que esses resultados sejam sustentáveis, assegurou-se a criação de um regulamento para a segurança alimentar e nutricional do município de Atiquizaya, que foi impulsionada e apoiada pela FAO e pelo governo brasileiro, que dá o marco legal e o respaldo jurídico ao programa, e que permite contar com uma fonte de recursos dentro do orçamento municipal, para a execução de programas de segurança alimentar e nutricional”.

Apoio técnico

Para a implementação da iniciativa, a prefeitura criou a Unidade de Segurança Alimentar e Nutricional, que dá apoio e acompanhamento técnico aos centros escolares participantes do processo. Um coordenador de área, um agrônomo e uma nutricionista formam a equipe técnica que desenvolve ações em conjunto com outros parceiros como a secretaria de Educação municipal e o Ministério da Agricultura.

Em termos de educação alimentar, é realizada a atividade de hortas escolares pedagógicas com o objetivo de envolver estudantes, docentes, mães e pais de família e comunidade em geral, como foi o caso do Centro Escolar Pepenance, no município de Atiquizaya.

Estão envolvidos na iniciativa das Escolas Sustentáveis em Antiquizaya 320 diretores(as) e docentes dos centros escolares, bem como 4.849 pais e mães de família.

“Nossa visão é avançar para o desenvolvimento integral dos habitantes do município por meio da inovação produtiva nutricional, considerando que a segurança alimentar é um dos eixos fundamentais junto à educação e à saúde para o desenvolvimento integral do município”, afirmou a prefeita de Atiquizaya.

No município, são dez cardápios reforçados com o aporte da compra de alimentos, e as mães preparadoras receberam capacitação adequada em temas de iniquidade dos alimentos e manipulação apropriada com o objetivo de promover os hábitos higiênicos dentro da cozinha de cada centro escolar. Para a comercialização dos produtos da agricultura familiar para a alimentação escolar, foram envolvidos 79 produtores (as).

Além disso, houve investimentos na melhora da infraestrutura e do equipamento escolar para o armazenamento, preparação e consumo dos alimentos, especialmente em cozinhas e refeitórios, com o objetivo de garantir condições adequadas e fortalecer comportamentos alimentares saudáveis. A comunidade educativa participou desde o aporte financeiro até a construção da obra, supervisão e manutenção dos espaços.

A base sobre a qual se desenvolveram as Escolas Sustentáveis em Atiquizaya se fundamenta na premissa de que as escolas são espaços privilegiados de convergência da comunidade, e de que o desenvolvimento social e econômico de um povo está associado à inclusão educativa.