Escola deve promover cidadania ativa, defende escritor moçambicano Mia Couto

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Em entrevista à ONU, o escritor moçambicano Mia Couto defendeu na terça-feira (6) uma educação de qualidade para todos, mas enfatizou que o ensino formal precisa abordar a participação cidadã dos indivíduos. Na avaliação do romancista e poeta, escolas devem dar mais valor ao debate sobre meio ambiente e sobre questões de gênero.

Em entrevista à ONU, o escritor moçambicano Mia Couto defendeu na terça-feira (6) uma educação de qualidade para todos, mas enfatizou que o ensino formal precisa abordar a participação cidadã dos indivíduos. Na avaliação do romancista e poeta, escolas devem dar mais valor ao debate sobre meio ambiente e sobre questões de gênero.

Segundo Couto, não basta apenas aprender a “contar, escrever e conhecer o mundo de um ponto de vista científico”. “Eu acho que o mundo está a mudar tão rapidamente que é preciso repensar a escola, de maneira que a escola corresponda aos desafios que hoje se colocam”, afirmou o autor em entrevista ao serviço de notícias das Nações Unidas em Nova Iorque, a ONU News.

Um desses desafios é a migração para as cidades, acrescentou o moçambicano. Para o escritor, as pessoas poderiam ter contato na escola com temas de urbanismo e civismo. “Enfim, há um valor que se tem que dar às questões de gênero, do ambiente e de uma cidadania ativa”, completou o artista.

Em 2013, Mia Couto ganhou o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa. No ano seguinte, foi laureado com o Prêmio Internacional Neustadt de Literatura, uma espécie de Prêmio Nobel, promovida por instituições norte-americanas.

Também na terça-feira, o autor lançou sua mais nova obra, o livro “A Águia e a Água”. A publicação traduz seu desejo de uma educação que inspire e prepare o aluno.

“Queria que as crianças percebessem o que encontram na própria linguagem. Eu queria que elas começassem a usar as palavras e as letras como uma fonte de brincadeira, de prazer”, explica o escritor. Couto diz ter a impressão de que os estudantes veem a língua sempre associada ao aprendizado “mais sério e severo” do colégio.

“A linguagem devia ser uma coisa para nos divertirmos também. Devia ter esse papel sedutor”, acrescenta.

Segundo as Nações Unidas, o mundo tem mais de 265 milhões de crianças fora da escola — um quinto delas está em idade escolar primária.

Os desafios para uma educação de qualidade incluem a falta de professores com formação adequada, as condições precárias das instituições e a igualdade no acesso a oportunidades, sobretudo para as crianças rurais. O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de nº 4 prevê, até 2030, a universalização do ensino fundamental e médio para todos os meninos e meninas.


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