Escassez extrema de alimentos afeta 20% das famílias no norte do Mali, alerta agência da ONU

Programa Mundial de Alimentos da ONU fornecerá ajuda humanitária emergencial a meio milhão de pessoas, apesar da insegurança, do difícil acesso e das restrições orçamentárias.

PMA está fornecendo refeições para escolas no Mali, um incentivo a mais para continuar frequentando as aulas. Foto: PMA/Daouda Guirou

PMA está fornecendo refeições para escolas no Mali, um incentivo a mais para continuar frequentando as aulas. Foto: PMA/Daouda Guirou

A continuidade do conflito no Mali combinada com a iminente entressafra ameaça agravar a fome no país da região do Sahel, alertou nesta terça-feira (16) a agência das Nações Unidas de ajuda alimentar, acrescentando que está trabalhando em caráter de urgência com organizações parceiras para ajudar famílias afetadas, em particular no norte do país.

“Fui a Timbuktu na semana passada e vi como é realmente crítica a situação humanitária”, afirmou Sally Haydock, Diretora Nacional no Mali do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), em um comunicado à imprensa.

Segundo a agência, uma em cada cinco famílias em Timbuktu, Gao e Kidal — regiões do norte — enfrenta escassez extrema de alimentos, com uma deterioração significativa do consumo alimentar na semana passada.

“As áreas ao redor de Timbuktu são inseguros e de difícil acesso, os mercados não estão funcionando corretamente, os preços dos alimentos estão altos, assim como os preços dos combustíveis, e há uma falta de liquidez, o que significa que as pessoas não são capazes de comprar as necessidades básicas”, adicionou Haydock.

O norte do Mali foi ocupado por radicais islâmicos após o início dos combates, em janeiro de 2012, entre as forças governamentais e os rebeldes tuaregues, deslocando centenas de milhares de pessoas.

No entanto, com a rápida aproximação da chamada entressafra — um período de três meses de seca que se estende de abril a junho — o PMA está planejando fornecer assistência alimentar para 145 mil pessoas em Timbuktu, 86.700 em Gao e 34.500 em Kidal.

Além disso, a agência planeja apoiar mais de meio milhão de pessoas no país mensalmente, apesar de um deficit orçamental global de 159 milhões de dólares.

Após sua visita ao Mali, no início de março, a Diretora Executiva do PMA, Ertharin Cousin, reafirmou a posição da ONU de fornecer ajuda humanitária a áreas do norte do país, com embarques de alimentos por via rodoviária e fluvial.

“As pessoas ainda estão sofrendo, a crise não acabou”, disse Cousin. “Não é seguro em muitas das comunidades do norte e as pessoas não podem ir para casa. Precisamos continuar a prestar apoio para que as crianças possam continuar a receber ajuda alimentar.”