Equipe da ONU confirma estupros em massa no leste da República Democrática do Congo

Uma missão de avaliação conjunta das Nações Unidas confirmou que as tropas do governo da República Democrática do Congo (RDC) cometeram estupros em massa e atos de pilhagem em várias aldeias remotas no leste do país durante o mês passado.

O Hospital de Panzi, em Bukavu, na província de Kivu do Sul, é um dos poucos centros de referência para as mulheres violadas sexualmente. Foto: ONU.Uma missão de avaliação conjunta das Nações Unidas confirmou que as tropas do governo da República Democrática do Congo (RDC) cometeram estupros em massa e atos de pilhagem em várias aldeias remotas no leste do país durante o mês passado.

Moradores de Nyakiele, na província de Kivu do Sul, disseram a funcionários da ONU que tropas servindo às forças armadas congolesas, conhecidas como FARDC, estupraram pelo menos 121 mulheres e submeteram moradores a tratamentos cruéis e degradantes durante os ataques, que ocorreram por volta de 11 de junho.

As tropas – que atacaram pelo menos uma outra aldeia na área, coberta por floresta densa – também roubaram o equivalente a cerca de 90 mil dólares em dinheiro e ouro, bem como 157 cabras, e forçaram alguns dos aldeões a transportarem os bens saqueados.

Uma equipe de avaliação com funcionários humanitários da ONU, autoridades locais e uma equipe de funcionários de uma organização não-governamental (ONG) visitaram Nyakiele depois dos relatos de ataques.

Rupert Colville, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH), disse a jornalistas hoje (01/07) em Genebra que serão realizadas investigações mais apuradas para comprovar os detalhes e identificar os autores.

Ele manifestou indignação com os ataques, ecoando comentários recentes da missão de paz da ONU na RDC (MONUSCO) e da Representante Especial do Secretário-Geral para a Violência Sexual em Conflito, Margot Wallström.