Enviado Especial para a Síria vê com cautela oferta da oposição para negociar com governo

“Ninguém disse que vai ser fácil”, afirmou Lakhdar Brahimi. “Mas talvez negociação seja melhor do que matar um ao outro”.

Representante Especial Conjunto para a Síria, Lakhdar Brahimi, sendo entrevistado na sede da ONU em Nova York. UN Photo / Mark Garten

Reafirmando a importância da negociação para parar o massacre na Síria, o Representante Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga dos Estados Árabes reagiu com cautela nesta quarta-feira (30) aos relatos de que o líder de oposição, Mouaz Alkhatibare, estava pronto para dialogar com o governo sírio.

“É digno de nota. Vamos ver como o Governo vai responder”, observou Lakhdar Brahimi. “E vamos ver como os colegas de Mouaz Alkhatibare vão reagir”, acrescentou.

Alkhatibare declarou que estava disposto a conversar com os representantes do governo fora da Síria e sob certas condições, entre elas, a libertação de 160 mil presos políticos.

“Ninguém disse que vai ser fácil”, afirmou Brahimi. “Mas talvez a negociação seja melhor do que matar um ao outro”, disse, lembrando que até agora nenhuma solução foi bem sucedida e que a Síria está sendo destruída “pouco a pouco”, com o número de mortos ultrapassando 60 mil.

Brahimi também cobrou do Conselho de Segurança uma ação conjunta, ressaltando que a continuação do conflito representa uma ameaça a toda a região. O que é necessário, sublinhou, é que o P5 – composto por China, Rússia, França, Estados Unidos e Reino Unido – chegue a “um entendimento comum sobre o que significava Genebra”, disse Brahimi referindo-se a um plano de ação lançado em junho que estabelece passos-chave para um processo para acabar com a violência na Síria.

Além das mais de 60 mil perdas humanas, outras 4 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária imediata por causa do conflito, dentro e fora do país.