Enviado especial da ONU para a Síria elogia acordo de cessar-fogo

Desde janeiro de 2016, mais de 900 mil pessoas – uma média de 5 mil por dia – foram recentemente deslocadas na Síria. Foto: PMA/ Hussam Al Saleh

Elogiando um novo acordo de cessação das hostilidades na Síria, anunciado na última sexta-feira (9), após uma maratona de reuniões entre funcionários de alto escalão dos governos dos Estados Unidos e da Rússia, o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, afirmou que a ONU faria “tudo o que puder” para apoiar um rápido restabelecimento da cessação das hostilidades.

“A ONU espera que a vontade política que levou a este entendimento seja sustentada. Ele cria uma verdadeira janela de oportunidade, que todos os atores relevantes na região e além devem aproveitar, dando à crise na Síria um rumo diferente e aliviando a violência e sofrimento do povo sírio”, disse Mistura.

Falando ao final do encontro entre o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, o enviado da ONU apelou a todas as partes em conflito na Síria para facilitar o acesso da ajuda humanitária em áreas sitiadas e de difícil alcance.

Mistura também saudou o fato de a Rússia e os Estados Unidos estarem dispostos a trabalhar juntos para derrotar organizações terroristas como o Daesh e o Al Nusra.

No mesmo dia, Mistura havia expressado a esperança de que um acordo entre a Rússia e os EUA poderiam fazer uma grande diferença no sentido de garantir a cessação das hostilidades, bem como avançar no processo político – ambos considerados essenciais para aliviar o sofrimento humanitário e pôr fim ao conflito na Síria.

No total, 13,5 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária, sendo que a maior parte está deslocada dentro da própria Síria. Dados do OCHA (setembro de 2016).

O enviado especial da ONU também expressou preocupação com a situação dos civis sitiados no leste da cidade de Alepo, na Síria. Ele disse que era uma prioridade que as duas potências globais entrem em acordo sobre uma maneira de encerrar o conflito, para que a ajuda possa chegar até as pessoas presas em meio ao conflito, que já dura mais de cinco anos.

O chefe humanitário da ONU, Stephen O’Brien, disse que era imperativo que se encontre um caminho para atender as necessidades humanitárias dos sírios, no que ele descreveu como “uma crise humanitária causada pela Humanidade”.

Ele ressaltou as demandas dos parceiros humanitários “sob os princípios humanitários de imparcialidade, independência e neutralidade”, acrescentando que a ONU e seus parceiros “estão prontos para fornecer apoio e proteção às pessoas que continuam a sofrer sob as atuais circunstâncias”.