Enviado da ONU no Iraque alerta sobre escalada de violência e instabilidade política no Curdistão

Confrontos entre civis e agentes policiais deixaram mortos, feridos e provocaram a destruição de escritórios. Além das tensões internas, região está envolvida na luta com o Estado Islâmico.

Família no campo de Sheikhan, fora de Dohuk, na Região Curda do Iraque. Foto: OCHA / Charlotte Cans

Família no campo de Sheikhan, fora de Dohuk, na região do Curdistão do Iraque. Foto: OCHA / Charlotte Cans

O enviado das Nações Unidas para o Iraque, Ján Kubiš, expressou, nesta quarta-feira (14), sua preocupação com a recente escalada de violência na região do Curdistão do Iraque nos últimos dias. Em reunião com partidos e o Governo Regional do Curdistão, o representante da ONU fez um apelo às lideranças presentes, solicitando a busca por uma solução negociada para o impasse político envolvendo a presidência da região.

Kubiš condenou as mortes e agressões entre manifestantes e agentes policiais, bem como a destruição de escritórios durante protestos no final de semana. “As autoridades devem assegurar o direito do povo de exigir pacificamente seus direitos e uma boa governança, enquanto manifestantes devem respeitar a lei e refrear a violência e provocações”, afirmou o enviado.

Para o representante das Nações Unidas, atores políticos da região devem se empenhar para estabelecer o diálogo, em vez de inflamar tensões. Kubiš lembrou o apelo dos Peshmerga (forças armadas curdas), que estão na linha de frente do combate contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), para garantir que a região curda do Iraque permaneça segura, estável e unida.

“Protelar (a resolução da questão presidencial) ameaça acentuar uma situação já difícil para a população, que enfrenta enormes desafios, de tal magnitude como a luta contra o Daesh (ISIL), a crise financeira, a miséria econômica e insociável da população da região que, além disso, abriga cerca de 1,7 milhão de pessoas internamente deslocadas”, destacou o enviado.