Enviado da ONU defende acesso à educação para crianças refugiadas e em situação de conflito

O enviado especial da ONU para a Educação Global, Gordon Brown, defendeu nesta semana (19) o acesso à escolarização para todas as crianças e jovens refugiados. Em vez de terem seus passaportes carimbados em postos de controle nas fronteiras, disse o dirigente, as crianças deveriam estar na sala de aula, recebendo educação, que é o “passaporte de verdade” dos meninos e meninas para o futuro.

O sistema educacional do Afeganistão foi devastado por mais de três décadas de conflito. Para muitas crianças do país, completar o ensino primário permanece um sonho distante. Na imagem, a jovem Fatima, de dez anos, resolve uma equação de matemática em escola na cidade de Herat. Foto: UNICEF/Mohammadi

O sistema educacional do Afeganistão foi devastado por mais de três décadas de conflito. Para muitas crianças do país, completar o ensino primário permanece um sonho distante. Na imagem, a jovem Fatima, de dez anos, resolve uma equação de matemática em escola na cidade de Herat. Foto: UNICEF/Mohammadi

O enviado especial da ONU para a Educação Global, Gordon Brown, defendeu nesta semana (19) o acesso à escolarização para todas as crianças e jovens refugiados. Em vez de terem seus passaportes carimbados em postos de controle nas fronteiras, disse o dirigente, as crianças deveriam estar na sala de aula, recebendo educação, que é o “passaporte de verdade” dos meninos e meninas para o futuro.

Falando a jornalistas na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, Brown alertou que “99% dos jovens refugiados do mundo agora estão se tornando uma geração invisível, que nunca terá um lugar na faculdade ou na educação superior”. “E somente 20% terão (concluído) o ensino secundário”, afirmou o ex-primeiro-ministro do Reino Unido.

Segundo Brown, estima-se que 75 milhões de crianças no mundo estejam presas em situações de conflito. “Elas estão arrasadas pela ausência de esperança, pela devastadora certeza de que não há nada adiante para se preparar ou planejar, nem mesmo um lugar numa sala de aula.”

Permitir que as crianças do mundo tenham um lugar na escola é essencial para cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 4, que pede educação inclusiva, equitativa e de qualidade para todas as pessoas até 2030.

“É hora de o mundo acordar para o horror de tantas crianças sem esperança”, afirmou o enviado especial da ONU.

Brown fez um apelo urgente por mais financiamento para iniciativas que buscam levar educação aos mais de 30 milhões de jovens refugiados e deslocados. O dirigente lembrou a situação do acampamento de refugiados de Moria, na Grécia, onde “nenhuma educação formal é oferecida para nenhuma das centenas de crianças que estão lá”. O enviado contou ainda a história de dois jovens moradores do assentamento – um deles de apenas dez anos – que tentaram suicídio.

“Nesta idade, as suas vidas deveriam estar repletas de esperança e animação a cada novo dia, mas, em vez disso, os jovens estão tão sem esperança que tentam tirar as suas próprias vidas.”

“Uma geração perdida não é identificada apenas pelas salas de aula vazias, pelos parques infantis em silêncio e por pequenas lápides sem marcas. Uma geração perdida é uma geração em que a esperança morre naqueles que estão vivos”, acrescentou.

Brown elencou ainda uma série de países onde crises de deslocamento forçado e situações de conflito deixam os jovens sem acesso à educação. O dirigente lembrou a situação da Venezuela, os números de crianças fora da escola na República Centro-Africana (500 mil) e no Afeganistão (3,7 milhões), a migração dos rohingyas de Mianmar e os fluxos de refugiados da Síria, Sudão e outros países.

Apesar dos desafios, Brown anunciou que o fundo Education Cannot Wait (EWC) – criado em 2016 para levar oportunidades de aprendizado a crianças deslocadas em crises – vai lançar na quinta-feira (21) um programa de educação segura no Afeganistão. A meta da nova iniciativa é alcançar meio milhão de crianças no país, incluindo mais de 320 mil meninas.

Em 27 de fevereiro, na República Centro-Africana, o governo, o ECW e parceiros também vão lançar um novo programa educacional, a fim beneficiar em torno de 900 mil crianças, metade delas meninas.

Ambas as iniciativas vêm após o lançamento de um programa em Uganda, em setembro do ano passado, para lidar com as necessidades educacionais associadas à chegada de refugiados do Sudão do Sul.

Como exemplo de boa prática de inclusão dos refugiados, Brown lembrou ainda o sucesso das escolas de turnos dobrados no Líbano. Atualmente, dos 400 mil refugiados sírios no Líbano que frequentam uma escola, quase 300 mil estão em colégios que operam dessa forma.

“Eles recebem educação à tarde, em árabe, após as crianças libanesas receberem educação pela manhã em inglês e francês, na mesma sala de aula. Isto prova que é possível usar o sistema educacional existente para dar educação às crianças”, completou o enviado especial.


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