Enviado da ONU alerta para risco de escalada violenta após decisão dos EUA sobre Jerusalém

A decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital israelense foi amplamente elogiada por Israel, mas também causou fúria entre palestinos e ansiedade nos países vizinhos e na comunidade internacional, disse o enviado das Nações Unidas para o processo de paz no Oriente Médio durante reunião do Conselho de Segurança em Nova Iorque nesta sexta-feira (8).

Nickolay Mladenov, coordenador especial para o processo de paz no Oriente Médio, fala ao Conselho de Segurança. Foto: ONU/Manuel Elias

Nickolay Mladenov, coordenador especial para o processo de paz no Oriente Médio, fala ao Conselho de Segurança. Foto: ONU/Manuel Elias

A decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital israelense foi amplamente elogiada por Israel, mas também causou fúria entre palestinos e ansiedade nos países vizinhos e na comunidade internacional, disse o enviado das Nações Unidas para o processo de paz no Oriente Médio durante reunião do Conselho de Segurança em Nova Iorque nesta sexta-feira (8).

“Estou particularmente preocupado com o potencial risco de uma escalada violenta”, disse o coordenador especial Nickolay Mladenov, em fala para o Conselho de 15 membros via conferência.

Ele disse ao Conselho que, para israelenses como palestinos, Jerusalém “é e sempre será parte integral de sua identidade nacional”. Além disso, para bilhões de pessoas, serve como símbolo e pedra fundamental de sua fé cristã, judaica ou muçulmana. “É por isso que permanece um dos lugares mais sensíveis do mundo”.

“Há sério risco (…) de que isso inicie uma cadeia de ações unilaterais, que poderão apenas minar a conquista de nosso objetivo comum”, disse Mladenov.

Desde o anúncio norte-americano, protestos e confrontos violentos ocorreram entre manifestantes palestinos e forças de segurança israelense por toda a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e na Faixa de Gaza.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), ao menos um palestino morreu e mais de 140 ficaram feridos.

Protestos também ocorreram em outras cidades árabes e vilarejos em Israel, assim como em outras cidades da região, do Líbano à Jordânia, da Malásia a Bangladesh.

Notando a carga simbólica, religiosa e emocional de Jerusalém para pessoas no mundo todo, Mladenov chamou todos os líderes políticos, religiosos e comunitários a “se abster de ações e retóricas provocativas que possam levar a uma escalada”, pedindo que todos exercitem a contenção e se engajem no diálogo.

Na quinta-feira (7), seis foguetes foram lançados da Faixa de Gaza com destino a Israel. Todos não alcançaram o alvo, com exceção que um, que não causou danos ou feridos. A Defesa israelense respondeu bombardeando duas instalações militares do Hamas no enclave, causando danos, mas não ferimentos.

“Agora é mais importante do que nunca que preservemos as perspectivas de paz. Serão os palestinos e israelenses comuns — suas famílias, suas crianças — que em última análise precisam viver com os custos humanos e o sofrimento causado por mais violência”, disse o enviado da ONU, completando que será importante que, nos próximos dias, os líderes “demonstrem sabedoria e façam todos os esforços para reduzir a retórica, prevenir provocações e manter as rédeas de elementos radicais”.

Na fala, Mladenov enfatizou que o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a ONU estão comprometidos em apoiar líderes israelenses e palestinos para o retorno a negociações significativas para atingir uma paz justa para os dois povos.

“Esta é a única forma de atingir as aspirações nacionais legítimas tanto de israelenses como de palestinos”, disse, lembrando o comunicado emitido pelo secretário-geral da ONU na quarta-feira após o anúncio de Trump.

“Neste momento de ansiedade, quero deixar claro: não há alternativa à solução de dois Estados. Não há plano B”, disse Guterres na ocasião.