Enviada da ONU sobre a violência sexual adverte que estupros no Sudão do Sul vão marcar gerações

“Eu vim para exigir que parem com os estupros e a violência sexual”, disse Zainab Bangura, que está visitando o país para discutir medidas de prevenção e resposta às violações recentes.

“O que aconteceu com você não foi culpa sua. Você não está sozinha”, afirmou Zainab Bangura, em reunião com a comunidade local na base da UNMISS em Juba. Foto: UNMISS

“O que aconteceu com você não foi culpa sua. Você não está sozinha”, afirmou Zainab Bangura, em reunião com a comunidade local na base da UNMISS em Juba. Foto: UNMISS

Os horrores da violência sexual no Sudão do Sul não terminaram com o cessar-fogo. Para tratar esse tema, a ONU convidou os cidadãos da nação mais jovem do mundo para se unirem e darem um “basta” durante a primeira visita ao país da representante especial do secretário-geral da ONU sobre violência sexual em conflito, Zainab Bangura.

Bangura afirmou que homens armados, tanto civis como combatentes envolvidos em qualquer parte do conflito, são responsáveis pelo alto índice de estupros no país, além de alguns terem provocado diretamente essa violação.

“Se não for dado um fim a esta situação agora, as violações sexuais vão assombrar o Sudão do Sul por muitas gerações, além de prejudicar a paz pela qual o país tem lutado tanto”, afirmou.

“Eu vim ao Sudão do Sul para exigir que todas as partes do conflito parem com os estupros e a violência sexual”, ressaltou Bangura, que visita o país para discutir medidas de prevenção e resposta às violações generalizadas que vêm ocorrendo.

Desde a última eclosão do conflito, em dezembro, muitas mulheres, meninos e meninas inocentes foram submetidas a ataques como estupros, violações em grupo, estupros com armas e escravidão sexual.

Um relatório divulgado pela Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) em maio deste ano confirmou que os civis eram alvos diretos de ataques violência, principalmente por conta de suas etnias. Com o depoimento de mais de 900 vítimas, o documento registra, entre outros crimes, casos de assassinatos em massa baseados na etnia dos civis, execuções sumárias, sequestros e violência sexual.

Bangurra pediu às comunidades locais, aos governos nacionais e à comunidade internacional para prestar toda a atenção e apoio àquelas pessoas que sofreram estupro.

Ela se reuniu com a comunidade local na base da UNMISS em Juba e falou que quem deve ser rejeitado e sentir-se envergonhado são os estupradores, não as pessoas que foram violadas. “O que aconteceu com você não foi culpa sua. Você não está sozinha”, concluiu.