Enviada da ONU cobra fim de graves violações contra crianças no Iêmen

Situação da saúde no país também preocupa: quase metade das unidades fechou, deixando milhares de civis feridos com menos locais para buscar ajuda de emergência.

Menino segura um grande pedaço de projétil que explodiu e caiu na aldeia de Al Mahjar, um subúrbio de Sanaa, capital do Iêmen. Foto: UNICEF / Mohamed Hamoud

Menino segura um grande pedaço de projétil que explodiu e caiu na aldeia de Al Mahjar, um subúrbio de Sanaa, capital do Iêmen. Foto: UNICEF / Mohamed Hamoud

Alarmada com o dramático aumento de violações graves contra crianças no Iêmen, a representante especial das Nações Unidas para Crianças e Conflitos Armados instou nesta terça-feira (25) todas as partes a respeitar as suas obrigações no âmbito do direito internacional de proteção aos civis.

O Iêmen se tornou “um exemplo gritante de como o conflito na região corre o risco de criar uma geração perdida de crianças, que são física e psicologicamente marcadas por suas experiências, privadas de oportunidades educacionais, e que enfrentam um futuro incerto”, disse Leila Zerrougi.

Após a escalada do conflito no final de março, pelo menos 402 crianças foram mortas e mais de 606 feridas. O número de fatalidades entre crianças de 1º de abril a 30 de junho mais do que triplicou em comparação com o primeiro trimestre desse ano.

A representante especial também lamentou o número de ataques a escolas e profissionais da educação, assim como o impacto devastador sobre o direito das crianças à educação. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), desde o final de março, 114 escolas foram destruídas e 315 parcialmente danificadas – com um adicional de 360 servindo para abrigar famílias deslocadas. Além disso, cerca de 3,6 mil escolas não vão reabrir devido à insegurança – interrompendo o acesso à educação para um número estimado de 1,8 milhão de crianças.

Saúde em situação crítica

A situação da saúde também é preocupante no país, onde medicamentos essenciais, kits de trauma e suprimentos de banco de sangue são urgentemente necessários. Quase metade das unidades de saúde do país fechou, limitando o acesso de milhares de civis feridos a ajuda de emergência, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Frente à crescente crise humanitária que afeta principalmente as províncias de Tiaz e Hodeida e ao número crescente de feridos civis nas províncias do sul do Iêmen, a OMS está coordenando uma resposta rápida para fornecer acesso à saúde de emergência aos feridos, pessoas internamente deslocadas e comunidades de acolhimento. Mas até agora, a resposta às necessidades cada vez maiores para apoiar intervenções de saúde vitais tem sido inadequada. Dos 132 milhões de dólares pedidos para o Iêmen em 2015, a OMS disse que só recebeu 25 milhões.