‘Envelhecimento’ da epidemia de aids requer serviços direcionados para pessoas com 50 anos ou mais

Relatório do UNAIDS mostra que cerca de 10% da população mundial com HIV possui 50 anos ou mais. Documento aponta que serviços de saúde devem estar integrados para ajudar essas pessoas.

Foto: Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)

Foto: Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)

As mudanças demográficas da epidemia de aids exigem um novo foco para alcançar as pessoas com 50 anos ou mais e que atualmente são mal atendidas pelos serviços de combate ao HIV, afirmou o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) na sexta-feira (1).

De acordo com dados divulgados sobre o novo relatório da agência da ONU para a epidemia global de aids voltado para a questão do HIV e envelhecimento, do total estimado de 35,3 milhões de pessoas que vivem com o vírus no planeta, em torno de 3,6 milhões possuem 50 anos ou mais.

“Maior atenção deve ser dada às necessidades específicas dessas pessoas e à integração dos serviços de combate ao HIV com outros serviços de saúde dos quais as pessoas acima de 50 anos já podem ter acesso”, disse o diretor executivo da UNAIDS, Michel Sidibé.

Os dados revelaram que, em países de alta renda, quase um terço das pessoas que vivem com o HIV tem 50 anos ou mais. Porém, a maioria da população adulta com mais de 50 anos que possui HIV está localizada em países de baixa e média renda, cerca de 2,9 milhões.

Diretor executivo do UNAIDS, Michel Sidibé. Foto: UNAIDS/O. Borgognon

Diretor executivo do UNAIDS, Michel Sidibé. Foto: UNAIDS/O. Borgognon

O “envelhecimento” da epidemia do HIV se deve a três fatores principais: o sucesso da terapia antirretroviral em prolongar a vida das pessoas que vivem com o vírus; a diminuição da incidência de HIV entre jovens adultos; e o envolvimento de pessoas com mais de 50 anos em atividades de risco, como sexo desprotegido e uso de drogas injetáveis.

Os dados divulgados destacam que os serviços de prevenção do HIV, incluindo os testes, devem estar sob medida para as necessidades das pessoas acima de 50 anos e descrevem a importância do início precoce da terapia antirretroviral à medida que o sistema imunológico enfraquece com a idade.