Ensinamentos de Nelson Mandela são mensagem ‘poderosa’ contra o medo e o cinismo, diz chefe da ONU

‘Nelson Mandela foi conhecido como o prisioneiro 46664 por 18 anos. Mas ele nunca se tornou um prisioneiro do seu passado. Sentenciado a trabalho pesado e ao encarceramento em solitária em Robben Island, ele se ergueu do sofrimento e da falta de dignidade para levar seu país, e o nosso mundo, a dias melhores’, lembrou o secretário-geral da ONU, António Guterres, neste 18 de julho, Dia Internacional Nelson Mandela.

Em mensagem para o Dia Internacional Nelson Mandela, comemorado neste 18 de julho, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a trajetória e os ensinamentos do líder sul-africano são um exemplo contra o medo, o cinismo e a amargura. O dirigente máximo das Nações Unidas defendeu que a melhor forma de lembrar o legado de Madiba é por meio de ações em prol da paz e dos direitos humanos.

“Nelson Mandela foi conhecido como o prisioneiro 46664 por 18 anos. Mas ele nunca se tornou um prisioneiro do seu passado. Sentenciado a trabalho pesado e ao encarceramento em solitária em Robben Island, ele se ergueu do sofrimento e da falta de dignidade para levar seu país, e o nosso mundo, a dias melhores”, lembrou o chefe da ONU.

Guterres acrescentou que, apesar das dificuldades, o nobel da Paz “nunca sucumbiu à amargura ou a rivalidades pessoais, mas despejou sua energia formidável na concretização de sua visão de uma África do Sul pacífica, multiétnica e democrática”.

“Nelson Mandela disse uma vez que um santo podia ser definido como um pecador que continua tentando. Essa é uma poderosa mensagem de esperança, em um mundo fragmentado de medo e cinismo. Nunca é tarde demais para encarar o futuro e tentar novamente”, disse o secretário-geral.

O dirigente concluiu sua mensagem com um chamado para que cada pessoa faça a sua parte e se envolva na promoção da paz, dos direitos humanos, do desenvolvimento sustentável e de vidas com dignidade para todos. “Cada um de nós pode ser inspirado pelo exemplo de Nelson Mandela e por suas célebres palavras: ‘Sempre parece impossível até ser feito'”, ressaltou.

Direitos das pessoas privadas de liberdade

Também por ocasião da data internacional, o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, lembrou que o Dia é também uma ocasião para refletir sobre os direitos das pessoas privadas de liberdade.

“Prisioneiros não devem nunca ser ignorados em esforços para fortalecer o Estado de Direito, melhorar os sistemas de justiça criminal e tornar as sociedades resilientes aos flagelos das drogas, do crime, da corrupção e do terrorismo. Prisioneiros continuam sendo parte da sociedade, eles merecem respeito, eles têm direito à dignidade e eles exigem direitos humanos”, disse o chefe da agência da ONU.

Fedotov chamou atenção para a importância dos Padrões Mínimos das Nações Unidas para o Tratamento de Prisioneiros, também conhecidos como Regras Nelson Mandela.

“Em todo o mundo, presidiários enfrentam violência, riscos de saúde devastadores, como HIV e hepatite, e podem ser expostos à radicalização que leva à violência. As Regras Nelson Mandela são um plano para que o gerenciamento carcerário lide com essas questões”, explicou o dirigente.

Fedotov acrescentou que o atual estado das prisões — superlotação, falta de recursos, de equipamentos e de pessoal — leva ao sofrimento dos indivíduos privados de liberdade e, consequentemente, da nossa humanidade compartilhada. “No Dia Nelson Mandela, o UNODC continuará a enfrentar esses desafios e a transformar as palavras poderosas das Regras Nelson Mandela em ações compromissadas e ousadas”, disse.

UNESCO: Mandela é exemplo de luta

Também por ocasião do Dia, a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, lembrou um dos pronunciamentos de Mandela no Julgamento de Rivonia: “Eu valorizo o ideal de uma sociedade democrática e livre na qual todas as pessoas convivem em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual eu espero viver e o qual espero alcançar. Porém, se for necessário, é um ideal pelo qual eu estou preparado para morrer”.

A chefe da agência da ONU dedicada à educação, ciência e cultura alertou que os valores defendidos pelo líder sul-africano ainda é um “sonho para muitas sociedades”. “Milhares de mulheres e homens em todo o mundo ainda são presos, torturados e executados por defender esse ideal de paz e igualdade em seus países”, lamentou Bokova.

“Ao celebrar o Dia Internacional de Nelson Mandela, nós prestamos homenagem àquelas pessoas que lutaram e que continuam a lutar pela liberdade, pela dignidade e pelos direitos humanos. Essa luta nunca foi tão importante nas sociedades contemporâneas que são enfraquecidas pela ascensão de múltiplas tensões – econômicas, sociais, políticas e também climáticas”, acrescentou a dirigente.

Nelson Mandela foi embaixador da Boa Vontade da UNESCO. Seus discursos no Julgamento de Rivonia estão arquivados no Registro Memória do Mundo da agência da ONU.