Encontro reúne especialistas em Lyon para discutir combate ao tráfego ilícito por via aérea

Noventa representantes de organizações internacionais e agências nacionais responsáveis pela aplicação da lei reuniram-se na sede da Interpol em Lyon, na França, para a cerimônia de abertura da 6ª Reunião Global do Projeto de Comunicações Aeroportuárias (AIRCOP), uma parceria entre Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Interpol e Organização Mundial de Aduanas (OMA).

O objetivo do encontro era reforçar as capacidades dos aeroportos internacionais em todo o mundo para detectar e interceptar drogas, produtos ilícitos e passageiros de alto risco nos países de origem, trânsito e destino.

Encontro mundial do AIRCOP reúne especialistas para identificar boas práticas e desafios na detecção de tráfego ilícito por via aérea. Foto: Flickr (CC)/Dani Oliver

Encontro mundial do AIRCOP reuniu especialistas para identificar boas práticas e desafios na detecção de tráfego ilícito por via aérea. Foto: Flickr (CC)/Dani Oliver

Noventa representantes de organizações internacionais e agências nacionais responsáveis pela aplicação da lei reuniram-se na sede da Interpol em Lyon, na França, para a cerimônia de abertura da 6ª Reunião Global do Projeto de Comunicações Aeroportuárias (AIRCOP), uma parceria entre Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Interpol e Organização Mundial de Aduanas (OMA).

O objetivo do encontro era reforçar as capacidades dos aeroportos internacionais em todo o mundo para detectar e interceptar drogas, produtos ilícitos e passageiros de alto risco nos países de origem, trânsito e destino.

Os participantes discutiram na semana passada (de 11 a 13) sucessos do AIRCOP, experiências de boas práticas, desafios futuros e novas soluções.

Segundo o UNODC, as ameaças estão evoluindo rapidamente, e os policiais devem permanecer vigilantes para combater o crime organizado e o terrorismo. As recomendações que adotadas ao final da reunião servirão de roteiro para os próximos anos.

Representando o UNODC, Miwa Kato, diretora de operações, cumprimentou as diferentes partes interessadas pelo empenho. “Com nossos esforços conjuntos, já percorremos um longo caminho, não só para dar boas-vindas a novos países, mas também prestar orientação e combater todos os tipos de ameaças que ocorrem nas plataformas aeroportuárias”, afirmou.

Implementadores parceiros do AIRCOP, a Interpol e a OMA foram representadas por Tim Morris, diretor-executivo de serviços policiais, e por Ana Hinojosa, diretora de compliance e facilitação.

Os esforços conjuntos dos grupos de trabalho e parceiros do AIRCOP resultaram em apreensões de cerca de 8 toneladas de cocaína; 422 kg de heroína; 6 toneladas de cannabis; mais de 2 toneladas de metanfetamina; cerca de 10 toneladas de cigarros e outros produtos de tabaco; mais de 13 toneladas de medicamentos falsificados; 1,2 toneladas de escamas de pangolim; 14,5 milhões de dólares não declarados; e 1,4 toneladas de precursores (efedrina, fenacetina, etc.).

Também interceptaram supostos combatentes terroristas estrangeiros, duas pessoas procuradas pela Interpol e pelo FBI (advertências vermelhas) e possíveis vítimas de tráfico humano.

Em seu discurso de abertura, o diretor-executivo de serviços policiais da Interpol, Tim Morris, incentivou os participantes a trabalhar em conjunto e aproveitar as apreensões para atacar o centro dos grupos criminosos.

“Se nos limitarmos às apreensões, nunca poderemos identificar ou interromper as redes criminosas organizadas por trás delas”, disse. “Só estaríamos arranhando a superfície dessa indústria criminosa multibilionária”.

Ana Hinojosa, diretora de compliance e facilitação da OMA, reconheceu o sucesso do projeto AIRCOP e a colaboração entre as agências parceiras. Ela observou que os funcionários das alfândegas operam em ambientes estratégicos e que suas autoridades e habilidades ajudam a encontrar oportunidades únicas para esforços coordenados eficazes.

“É encorajador ver que a comunidade internacional reconhece o papel importante das autoridades alfandegárias nesse tipo de esforço de fiscalização”, disse.

Miwa Kato salientou que os grupos de trabalho AIRCOP “são um testemunho ao fato de que o trabalho inter-institucional e a cooperação internacional são essenciais na luta contra o crime organizado e o terrorismo”, destacando a ampla rede de cooperação criada pelo AIRCOP ao longo dos anos.

Tal rede permite que oficiais de grupos de trabalho, mentores e formadores nacionais do AIRCOP ativos nos aeroportos internacionais de todo o mundo, bem como as agências parceiras, comuniquem-se em tempo real, garantindo que a informação operacional seja compartilhada de forma eficiente.

O AIRCOP é um projeto que envolve múltiplas agências, implementado em conjunto por UNODC, Interpol e OMA. O projeto apoia governos de 30 países de África, da América Latina, Caribe e Oriente Médio no reforço das capacidades de seus aeroportos internacionais para detectar e interceptar drogas, mercadorias ilícitas e passageiros de alto risco nos países de origem, trânsito e destino.

Além do desenvolvimento de capacidades, um aspecto essencial do AIRCOP é promover uma cultura de coleta e troca de informações para que ela se torne parte das rotinas de trabalho das agências responsáveis pela aplicação da lei, tanto entre as agências em nível nacional, sobretudo com outras organizações do mundo, com o objetivo geral de desbaratar as redes criminosas ilegais.

Financiado principalmente pela União Europeia por meio do Instrumento que contribui para a Estabilidade e a Paz (Programa Rota da Cocaína), a AIRCOP recebe contribuições adicionais de Canadá, França, Japão, Holanda, Noruega e Estados Unidos.