Encontro de Ban Ki-moon com a imprensa nesta quinta-feira (16/6): fotos, vídeo, áudio e transcrição

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, conversou com a imprensa no Brasil nesta quinta-feira (16/6), pouco após se reunir com o Ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, que também fez uma declaração à imprensa. Acompanhe o vídeo, o áudio e a transcrição, já traduzida para o português, além de fotos de quinta-feira (16/6).

O Ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, recebe o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon. Foto: Gustavo Ferreira/MRE (16/06/2011)O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, conversou com a imprensa no Brasil, pouco após se reunir com o Ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, que também fez uma declaração à imprensa. Assista abaixo.

Ban falou sobre os temas debatidos na reunião de trabalho com o Ministro Patriota e respondeu perguntas dos jornalistas. Confira abaixo, em inglês e na íntegra, o áudio da declaração feita à imprensa pelo Secretário-Geral da ONU no Palácio Itamaraty em Brasília, por volta das 13h30 desta quinta-feira, 16 de junho.

[audio:http://onu.org.br/audio/ban_encontro_imprensa_16-jun-2011.mp3%5D

Leia abaixo a transcrição não-oficial da declaração, seguida de perguntas e respostas feitas ao Secretário-Geral.

“Boa tarde, estou muito feliz de estar aqui em Brasília. Muito obrigado. [em português]

Obrigado, Ministro, por sua gentil hospitalidade. Estou muito feliz de visitar o Brasil. Esta é minha terceira viagem ao Brasil como Secretário-Geral. Ano passado, eu visitei o Rio de Janeiro para participar do encontro da Aliança de Civilizações e hoje discuti com o Ministro Patriota uma série de assuntos sobre a parceria entre as Nações Unidas e o Brasil.

Estou muito agradecido ao povo e ao Governo Brasileiro pelo seu forte compromisso e o papel de liderança que veem demonstrando em assuntos como paz e segurança, integração regional, desenvolvimento e na promoção de valores e objetivos das Nações Unidas, incluindo os direitos humanos.

Eu disse ao Ministro Patriota que as Nações Unidas e eu como Secretário-Geral estamos muito satisfeitos em ver o envolvimento cada vez maior do Brasil como líder global, membro do G-20 e do G-77. O Brasil está em uma posição estratégica para conseguir consenso entre países em desenvolvimento e desenvolvidos. Agradeço o grande compromisso em promover a Cooperação Sul-Sul e isso é exatamente o que esperamos de países emergentes como o Brasil.

Isto não deve ser pretexto para que a cooperação norte e sul se enfraqueça, essa relação também deve ser fortalecida. Mas a Cooperação Sul-Sul tem tido um papel muito importante e eu agradeço as contribuições do Brasil.

Nas áreas de paz e segurança, o Brasil também tem demonstrado sua liderança. No Haiti, o país tem enviado tropas e equipe de ajuda humanitária. O General Pereira está liderando a Missão das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH) como o Comandante da Força, e enviou membros das forças de paz [peacekeepers] para o Timor-Leste. A contribuição do país para a construção da paz na Guiné-Bissau, liderada pela Embaixadora [Maria Luiza Ribeiro] Viotti, como Presidente da Comissão para a Consolidação da Paz, é muito apreciada.

Em todos estes assuntos, estou muito feliz em trabalhar com o Brasil. Também pelo seu papel de liderança na criação da UNASUL [União das Nações Sul-Americanas], na qual estou muito interessado em trabalhar em estreita colaboração, assim como outras organizações regionais, como a OEA, o MERCOSUL, CARICOM, entre outras organizações regionais e sub-regionais.

Estava esquecendo uma coisa muito importante. A liderança no desenvolvimento sustentável, a Conferência Rio+20 ano que vem. Este será o assunto mais importante e prioritário para as Nações Unidas. Temos lidado com as mudanças climáticas e tido bons progressos, apesar de que não conseguimos ainda acordos globais.

Hoje enfrentamos insegurança alimentar, insegurança energética, problemas de falta de água e problemas de saúde. Todas estas questões estão interligadas. E por isso precisamos ligar estes pontos. Isto significa ver estes assuntos de uma forma mais abrangente, e é isso que espero que a Rio+20 faça no próximo ano sob a liderança da Presidenta Dilma Rousseff. A ONU não poupará esforços para fazer desta Conferência um grande sucesso para a humanidade.

Muito obrigado [em português].

Perguntas e respostas

Pergunta: Gostaria de saber a posição das Nações Unidas sobre acesso a informações públicas e especificamente sobre a possibilidade de documentos nacionais, do governo, serem mantidos secretos eternamente.

Resposta: Eu entendo que cada país tem seus sistema e suas regras de confidencialidade de documentos públicos. Em alguns países é de 30 anos, em outros é de 20 anos, depende de cada governo individualmente. Por isso, deixo este assunto para a decisão e a discrição do Governo Brasileiro.

Pergunta: Eu gostaria de fazer uma pergunta sobre a situação da Síria e da Líbia. O Conselho de Segurança da ONU está em um impasse sobre a Síria há algum tempo. Ontem, seu próprio escritório, o Alto Comissariado de Direitos Humanos, informou crimes graves por parte do Governo sírio, como execuções, prisões em massa, etc. Isto não daria base para uma Resolução contra a Síria? O que o senhor acha? Já na Líbia, existe uma resolução e o coronel Kadafi ainda está lá. O que precisa ser feito agora?

Resposta: Tenho repetido minha opinião muitas vezes, a declaração mais recente foi ontem [15/6], no Uruguai. A situação na Síria é profundamente preocupante. Eu falei e discuti com o Presidente Assad diversas vezes sobre este assunto. Mostrei a ele a urgência de ouvir as aspirações de seu povo e ele deveria tomar todos os cuidados possíveis para proteger vidas humanas. É totalmente inaceitável que civis, expressando pacificamente seus genuínos desejos por mais liberdade e democracia, tenham sido feridos e presos.

Pedi também ao Presidente Assad e às suas autoridades que parem de matar pessoas e que se envolvam em um diálogo inclusivo, tomando medidas decisivas e ousadas antes que seja tarde. Espero que a ONU possa agir da melhor forma.

E sobre a Líbia, a ONU já se encontrou com representantes-chave. Eu tenho conversado com autoridades Líbias e meu Enviado Especial visitou oito vezes o país, encontrou o primeiro-ministro e várias outras pessoas. Antes de tudo, é importante que eles parem imediatamente de matar pessoas. Com um cessar-fogo a ONU e outras agências humanitárias poderão prestar socorro a várias pessoas em necessidade. A situação humanitária está profundamente deteriorada em várias cidades no país.

Vamos continuar tendo este diálogo político para chegar a um cessar-fogo. Também estamos nos preparando para um arranjo para o pós-conflito, para a construção e a consolidação da paz, dando assistência humanitária e protegendo os direitos humanos.

Pergunta: o Sr. encerra aqui sua visita pela América do Sul e destacou muito a relevância de vários países em que o Sr. esteve. Agora no Brasil, o Sr. fala do destaque do Brasil em especial na segurança, na paz e até mesmo na questão dos alimentos. A pergunta é: o Brasil defende uma reforma no Conselho de Segurança e também deseja ocupar uma vaga permanente. Eu gostaria de saber como é que o Sr. vê esse pleito brasileiro em relação à candidatura do nosso ex-ministro José Graziano, que está aí posto para ocupar o comando da FAO [Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação]. Obrigada.

Resposta: Minha observação com base na visita a quatro países sul-americanos é que a região pode ter um papel mais forte na Organização das Nações Unidas e no multilateralismo. Ao mesmo tempo, as Nações Unidas também podem ter um papel maior nesses países. Acredito nisso em termos de promoção de instituições democráticas e os direitos humanos, em termos de promoção da Cooperação Sul-Sul e na participação destes países na manutenção da paz e da segurança mundial. Estes são aspectos muito positivos em que podemos contar mais com os Estados sul-americanos.

Sobre a reforma do Conselho de Segurança, o debate está bastante atrasado. Mais recentemente, particularmente durante os últimos três anos, os Estados-Membros das Nações Unidas aceleraram as negociações sobre como expandir e reformar o Conselho de Segurança. Se você considerar as mudanças dramáticas e significativas que ocorreram durante os últimos 65 anos, é de se esperar a adaptação do Conselho de Segurança para um formato mais representativo, crível e democrático.

Os Estados-Membros já começaram uma negociação baseada em texto e espero, sinceramente, que estejam em ritmo acelerado de negociação em direção a um acordo mútuo. Estou plenamente consciente da aspiração do Governo Brasileiro para aumentar sua contribuição. Tudo isto deve ser discutido entre os Estados-Membros.

Pergunta: Secretário, ainda na esteira da pergunta da minha colega, eu gostaria de saber se nessa visita que o Sr. fez a outros países sul-americanos, principalmente a Argentina, o Sr. ouviu alguma ressalva a essa ambição brasileira pela aspiração a uma cadeira no Conselho de Segurança e se o Sr. fez alguma proposta ou pretende fazer alguma proposta mais concreta aos Chefes de Estado e à Presidente Dilma Rousseff caso o Sr. se reeleja na ONU.

Resposta: Essa é uma questão que seguramente não devo comentar. Cabe aos Estados-Membros determinar quem será eleito como membro permanente ou não. Em primeiro lugar, deve haver uma decisão por parte dos Estados-Membros sobre como mudar o Conselho de Segurança e, como eu disse, eu estou muito ciente das aspirações do Governo Brasileiro. Outros países também se candidataram, como mencionamos. Portanto, este é um tema a ser determinado pelos Estados-Membros.

Pergunta: O Sr. fez alguma proposta para os Chefes de Estado da região referente a uma maior participação da região nas Nações Unidas, caso o Sr. seja reeleito.

Resposta: Como vocês sabem, eu expressei minha intenção, minha humilde intenção para servir esta grande Organização durante mais um mandato. Entendo que o tema esteja sendo considerado pelos membros do Conselho de Segurança, incluindo o Brasil e, em seguida, será finalmente decidido pelos Estados-Membros. Espero que os membros  considerem positivamente meu humilde desejo de servir esta grande Organização, de caminhar junto com os Estados-Membros para a promoção da paz, da segurança e do desenvolvimento, bem como na promoção dos direitos humanos. Essas são metas e objetivos comuns com os quais venho trabalhando muito estreitamente com os Estados-Membros.

Muito obrigado.”

Abaixo, fotos de quinta-feira (16/6).

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