Encontro apoiado por Fundo Agrícola da ONU reúne jovens de seis estados do NE

O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) apoiou a realização no início deste mês (de 5 a 7 de abril) do 2º Encontro de Jovens Rurais do Semiárido, que reuniu cerca de 500 jovens de seis estados do Nordeste (Sergipe, Piauí, Ceará, Bahia, Pernambuco e Paraíba) em Picos (PI).

Na ocasião, o diretor do FIDA no Brasil, Claus Reiner, enfatizou a importância de eventos voltados para a juventude rural. “É uma oportunidade de trazer novas ideias com entusiasmo para promover a transformação rural necessária para termos mais inserções nas cadeias de valor, mais diversificação das empresas rurais e, para isso, uma nova ruralidade”, declarou.

Durante o evento, jovens comercializaram produtos. Na foto, grupos de jovens e mulheres beneficiados pelo Projeto Paulo Freire, que estimula a geração de renda e trabalho no semiárido do Ceará. Foto: SDA/CE

Durante o evento, jovens comercializaram produtos. Na foto, grupos de jovens e mulheres beneficiados pelo Projeto Paulo Freire, que estimula a geração de renda e trabalho no semiárido do Ceará. Foto: SDA/CE

O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) apoiou a realização no início deste mês (de 5 a 7 de abril) do 2º Encontro de Jovens Rurais do Semiárido, que reuniu cerca de 500 jovens de seis estados do Nordeste (Sergipe, Piauí, Ceará, Bahia, Pernambuco e Paraíba) em Picos (PI).

A segunda edição do evento foi uma realização do governo do Piauí, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural (SDR) e da Coordenadoria da Juventude do Estado do Piauí (COJUV), com o apoio do FIDA, do Projeto Semear e do Instituto Comrádio.

O evento teve oficinas, plenárias e mostra de produtos, além de uma conferência com o teólogo Leonardo Boff e apresentações culturais. Os encontros debateram temas como o Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural; juventude, relações de gênero e diversidade sexual; economia solidária e desenvolvimento sustentável; alternativas de trabalho para a juventude rural; entre outros.

Durante o evento, o diretor do FIDA no Brasil, Claus Reiner, enfatizou a importância de eventos voltados para a juventude rural. “É uma oportunidade de trazer novas ideias com entusiasmo para promover a transformação rural necessária para termos mais inserções nas cadeias de valor, mais diversificação das empresas rurais e, para isso, uma nova ruralidade”, declarou.

Após as discussões, os jovens apresentaram os resultados das atividades realizadas no encontro em uma plenária final, que encerrou com a leitura e aprovação da Carta das Juventudes do Semiárido. O documento fez um alerta sobre as mudanças sociais ocorridas nos últimos anos, especialmente relacionadas ao atual sistema produtivo e seu impacto no meio ambiente.

“Surpreendeu nossas expectativas a participação de jovens de tantos estados. Ficamos com o sentimento e o desejo de realização de um terceiro encontro, em outro estado do Nordeste”, afirmou o coordenador estadual da Juventude, Vicente Gomes.

Durante o evento, jovens puderam comercializar seus produtos. A Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) do Ceará disponibilizou artesanatos, sabonetes e alimentos produzidos por grupos de jovens e mulheres beneficiárias do Projeto Paulo Freire, que estimula a geração de renda e trabalho no semiárido e é financiado pelo FIDA.

A plenária “Plano de Juventude e Sucessão Rural: os novos rumos da Política Pública de Juventude do Campo” reuniu cerca de 150 jovens. Um dos participantes, o jovem Cícero Dantas, de Iguatu (CE) e que faz parte da organização social Elo Amigo, avaliou que o encontro teve efeito multiplicador.

“Vou levar para a organização social da qual faço parte, por exemplo, a discussão que tivemos aqui sobre a questão da permanência do jovem no campo e a facilidade da convivência com o semiárido”, declarou.

Já Luiza Dulci, que participou da elaboração do Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural, de 2015, discutiu as diferentes demandas da juventude rural nos estados brasileiros.

“O plano tem cinco eixos: acesso à terra, trabalho e renda, educação do campo, qualidade de vida e participação, comunicação e democracia. Apesar de estarem nessa ordem de apresentação, para influenciar na sucessão rural, claro que o acesso à terra é uma questão fundamental, sem terra não há condições de permanecer e talvez por isso tenhamos colocado esse primeiro eixo em destaque”, declarou.

“Porém, há uma diversidade de necessidades em relação à juventude rural no Brasil que, por exemplo, no Rio Grande do Sul, há acesso ao crédito mais consolidado, o que dificulta neste estado é o acesso à Internet que é falho e a falta de acesso a bens culturais. No Nordeste, já é uma outra demanda, mas acredito que esses cinco eixos tentam abranger as necessidades do Brasil”, disse ela.

O diretor de inclusão produtiva e coordenador do Programa Viva o Semiárido (PVSA) no Piauí, Francisco das Chagas Ribeiro, destacou a alta participação no evento, que recebeu 400 inscrições pela Internet. Cerca de 19 mil famílias do Piauí estão sendo beneficiadas pelo projeto Viva o Semiárido, uma parceria entre a Secretaria de Estado da Educação e o FIDA.

“Foi um evento com características fortes da juventude que tem garra, animada, de jovens militantes, pois a maioria é vinculada a algum movimento ou organização, e isso nos dá esperança de resultados concretos”, declarou.

Segundo a diretora técnica do Projeto Viva O Semiárido (PVSA), Lúcia Araújo, o objetivo geral do evento foi colocar em evidência as pautas das juventudes, o protagonismo da sucessão rural por meio da troca de saberes e experiências, fazendo assim um intercâmbio entre as instituições e pessoas que já desenvolvem um trabalho de convivência com o semiárido e estão aptas a promover debates.

“Temos a oportunidade de fazer algo bem característico da juventude, de forma lúdica e participativa, por isso a organização do evento se preocupou não somente com os temas, mas com a forma e a dinâmica de fazer este trabalho, promovendo a interatividade”, declarou.

Para Silvana Holanda, que faz parte do Projeto Dom Távora (CE), também apoiado pelo FIDA, destacou a importância do encontro enquanto formação de senso crítico.

“Reunir a juventude que, por si só, já é muito diversa, é proporcionar a discussão sobre a perspectiva de futuro, o que podemos pensar sobre sucessão rural. É um debate de extremo valor. A ideia é dar continuidade a esse debate entre os jovens que não puderam vir para esse evento”, declarou.


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