Empresas e hackers investem em soluções para driblar trânsito de São Paulo

Banco Mundial destaca facilidade para adaptar a outras cidades medidas que estimulam uso de transporte público e aplicativos que ajudam moradores e turistas a andar de ônibus com mais facilidade.

Avenida Paulista. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Projetos inovadores tentam contornar o trânsito caótico de São Paulo com iniciativas facilmente adaptáveis a outras cidades.

Em um concurso de aplicativos para celular promovido pela Prefeitura de São Paulo, 60 hackers usaram os dados recém-abertos pela empresa municipal de transportes e criaram 15 softwares para ajudar moradores e visitantes a andar de ônibus com mais facilidade.

O vencedor do concurso foi “Cadê o Ônibus?”, que apresenta em diversos idiomas rotas, locais e horários de parada, dados sobre o trânsito e alertas de chegada dos veículos. O aplicativo também permite ao usuário informar sobre a lotação do ônibus ou outros problemas em tempo real.

“Com essas e outras características, os apps ajudam a dar mais transparência e a melhorar a qualidade de um serviço que virou o estopim para os protestos iniciados no Brasil em junho do ano passado”, explica o especialista em transportes do Banco Mundial Diego Canales, jurado na competição.

Em outra iniciativa, dez empresas com um total de 1,5 mil funcionários aderiram a um projeto para dar alternativas de deslocamento a seus trabalhadores adotando horários flexíveis ou home office e passando a dar incentivos financeiros a quem deixasse o carro em casa para ir de transporte público, veículos fretados, bicicleta ou carona.

“Entreguei o cartão de estacionamento, com o qual gastava 600 reais por mês, e hoje a empresa custeia os R$ 300 mensais da van que me traz todos os dias. Além de economizar, venho tranquilo, lendo jornal ou respondendo e-mails. Só precisei começar a chegar e sair mais cedo”, explica Marcos Jacobina, de 62 anos.

Para os especialistas do Banco Mundial, ambas as iniciativas ainda têm a vantagem de ser facilmente adaptáveis a outras cidades e regiões globais com problemas de trânsito. Na América Latina, por exemplo, perdem-se (em média) entre três e quatro horas diárias no trajeto casa/trabalho/casa, em deslocamentos que chegam a custar o equivalente a duas horas de salário.