Empresas brasileiras recebem treinamento sobre contratação de mulheres refugiadas

Mulheres em situação de refúgio no Brasil, empresas e representantes da ONU se reuniram neste mês (7), em São Paulo (SP), para discutir as etapas da contratação de refugiadas. Encontro fez parte do Empoderando Refugiadas, projeto da Rede Brasil do Pacto Global, da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e da ONU Mulheres. A iniciativa promove a inserção de estrangeiras no mercado de trabalho brasileiro.

Encontro em São Paulo esclareceu dúvidas do mercado e profissionais de recursos humanos sobre a contratação de refugiadas e refugiados. Foto: Fellipe Abreu

Encontro em São Paulo esclareceu dúvidas do mercado e profissionais de recursos humanos sobre a contratação de refugiadas e refugiados. Foto: Fellipe Abreu

Mulheres em situação de refúgio no Brasil, empresas e representantes da ONU se reuniram neste mês (7), em São Paulo (SP), para discutir as etapas da contratação de refugiadas. Encontro fez parte do Empoderando Refugiadas, projeto da Rede Brasil do Pacto Global, da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e da ONU Mulheres. A iniciativa promove a inserção de estrangeiras no mercado de trabalho brasileiro.

Os participantes da reunião analisaram um exemplo de sucesso na seleção de uma refugiada — a Fox Time integrou recentemente a síria Rama ao seu quadro de funcionários. De acordo com Danielle Pieroni, gestora de Recursos Humanos da empresa, a decisão veio da identificação de um potencial de crescimento para a companhia por meio desse tipo de ação.

“Já éramos parceiros do projeto (Empoderando Refugiadas), porém decidimos contratar porque vimos que as empresas ganham muito com isso, principalmente no clima organizacional. Conviver com pessoas diferentes é muito positivo para a instituição e encontramos na Rama uma profissional totalmente engajada”, disse Danielle.

Apesar de ainda não dominar 100% o português, Rama está totalmente integrada à empresa, onde colabora com o setor financeiro. O trabalho, segundo ela, foi fundamental para dar início a uma nova trajetória, longe de casa.

“Tenho uma história triste e difícil. Mas, pelo trabalho, agora tenho outra vida no Brasil. Não só pelo meu crescimento profissional, mas por minha família, meus filhos, que agora têm uma condição melhor e acesso a tudo (de) que precisam.”

Na avaliação de Keyllen Nieto, consultora da Organização Internacional para as Migrações (OIM) no projeto Empoderando Refugiadas, os treinamentos são essenciais para engajar o setor privado. “Há empresas em diferentes estágios de implementação de políticas de diversidade e inclusão e encontros como este são positivos para alavancar este processo e trocar experiências entre as empresas e refugiados”, aponta a especialista.

Dinâmicas e entrevistas individuais possibilitaram o contato entre empresas e mulheres refugiadas. Foto: Fellipe Abreu

Dinâmicas e entrevistas individuais possibilitaram o contato entre empresas e mulheres refugiadas. Foto: Fellipe Abreu

Ao final do encontro, representantes das companhias presentes no workshop puderam conhecer as refugiadas atendidas pela inciativa da ONU e Pacto Global. As estrangeiras e os brasileiros participaram de uma dinâmica de networking e empregabilidade, com interações em grupo e entrevistas individuais. O objetivo era promover o contato com as mulheres do programa e analisar os perfis para uma possível contratação.

Os profissionais de empresas brasileiras também participaram de uma capacitação sobre a empregabilidade de refugiados, realizado pela OIM. Durante o treinamento, executivos puderam sanar dúvidas sobre a contratação de refugiados e migrantes, além de entender como implementar políticas de inclusão em suas corporações.

A formação foi baseada num estudo sobre os desafios e oportunidades de migrantes internacionais no mercado de trabalho brasileiro. A pesquisa foi realizada em 2018 pela OIM em parceria com a Rede Brasil do Pacto Global.

Plataforma Empresas com Refugiados

A atual edição do projeto Empoderando Refugiadas, já em seu terceiro ano, atende a cerca de 50 mulheres, promovendo capacitação para a atuação no setor privado brasileiro e diálogo direto com empresas.

Esse ciclo, que se encerra no primeiro semestre de 2019, prevê ainda o lançamento da plataforma Empresas com Refugiados, um canal de promoção de boas práticas sobre a integração de pessoas refugiadas no mundo corporativo. O site foi idealizado pelo Pacto Global e pelo ACNUR para dar visibilidade a casos de inclusão e divulgar informações sobre novas iniciativas para refugiadas.

O Empoderando Refugiadas conta com a parceria do Facebook e com os apoios de ABN AMRO, Carrefour, Lojas Renner, Pfizer e Sodexo. São parceiros estratégicos do projeto o Consulado da Mulher, a Fox Time, o Grupo Mulheres do Brasil, a Migraflix e o Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR).