Empresários argentinos dão oportunidades para refugiados

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Na Argentina, uma organização social, a ADRA, promove a inserção de refugiados no mercado de trabalho. Instituição é parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), que defende a inclusão das vítimas de deslocamento forçado na vida das comunidades de acolhimento. Trabalho decente é fonte de autonomia e de novos vínculos sociais.

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Na Argentina, uma organização social, a ADRA, promove a inserção de refugiados no mercado de trabalho. Instituição é parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), que defende a inclusão das vítimas de deslocamento na vida das comunidades de acolhimento.

Rita Medina é argentina e diretora da empresa de estética The Nails Ba, uma das companhias que apoiam o programa de reintegração da ADRA. Depois de assistir a vídeos na internet sobre os desafios enfrentados por refugiados, Rita decidiu abrir em Puerto Madero, em Buenos Aires, uma oficina de capacitação profissional para requerentes de asilo e refugiados que haviam sido reconhecidos pelo governo.

“Por serem resilientes e por que precisam, eles irão valorizar o trabalho. Por terem se esforçado tanto para sair de onde estavam, eles têm algo no qual vale a pena apostar”, afirma a empresária.

Uma das participantes do projeto era a ucraniana Irina, que frequentou as aulas sem saber que uma vaga de manicure abriria na The Nails Ba logo após a conclusão do curso. Com a qualificação, ela foi a escolhida para ocupar o posto de trabalho.

“Quando se está em outro país e não se fala o idioma, é muito difícil. Se surge uma oportunidade para ganhar algo na situação na qual estamos, devemos aproveitá-la. Não é uma questão de pensar se o trabalho te agrada ou não, é uma questão de ter uma oportunidade. Estou muito agradecida por ter este trabalho. Devemos nos lembrar que há muitas pessoas que querem ajudar”, afirma a refugiada. Irina saiu do seu país e passou pela Bulgária e pela Sérvia antes de chegar à Argentina.

O ACNUR ressalta que o trabalho adequado não só garante um começo digno, como também facilita o estabelecimento de vínculos sociais. “Ao longo da minha trajetória no ACNUR, ouvi muito mais solicitantes de refúgio e refugiados pedirem um emprego do que pedirem dinheiro. E vi que aqueles que conseguiram um emprego digno e decente se sentem mais integrados e agradecidos pela nova oportunidade que lhes foi dada”, comenta a especialista da agência da ONU, Raquel Caracciolo.

Em Boulogne, também na capital argentina, Alejandro Torralva é gerente da TEC-METAL, uma empresa familiar dedicada à produção de peças para a indústria automobilística, para a agropecuária e também para o setor de petróleo. O negócio foi criado há 56 anos pelo pai de Alejandro. Hoje, a companhia é comandada pelo gerente e seus quatro irmãos.

Foi a partir de diálogos entre a ADRA e a empresa que a TEC-METAL abriu suas portas para Mario, solicitante de refúgio colombiano. O trabalho deu tranquilidade para estrangeiro.

“É como se um peso fosse tirado das minhas costas. Já tenho um trabalho, já posso comer, já posso dormir. Estou muito feliz porque agora sou independente, que é o que buscava”, afirma. E repete: “o trabalho é a origem de tudo”.

Segundo Raquel, “em ambos casos, houve interesse abertamente manifestado pelas empresas, o que facilitou a tarefa do ACNUR de fazer o contato entre a oferta e a demanda”.

“Os atores dos dois lados foram percorrendo o caminho necessário para moldar a ideia de ajudar os solicitantes de refúgio e os refugiados em ações concretas. As empresas se abriram para algo novo e ofereceram trabalho. As pessoas que se beneficiaram se empenharam para aprender a fazer o trabalho e mantê-lo. Ambos casos refletem muito bem que querer é poder”, explica.


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