Emergentes ajudam continente africano a reduzir dependência de países ricos

Crescimento das transações comerciais e financeiras entre a África e países emergentes, como China, Brasil e Índia, contribuiu para o continente integrar-se na economia global, segundo o Banco Africano de Desenvolvimento.

Emergentes ajudam continente africano a reduzir dependência com países ricosO crescimento das transações comerciais e financeiras entre a África e países emergentes, como China, Brasil e Índia, contribuiu para o continente integrar-se na economia global e entrar em uma nova fase nas relações internacionais. A avaliação é do Banco Africano de Desenvolvimento e aparece no relatório African Economic Outlook 2011 divulgado essa semana.

“O reordenamento africano vira a página após 50 anos de uma superdependência do Ocidente, um período algumas vezes chamado de era pós-colonial. As ligações com os parceiros tradicionais enfrentam profundas mudanças”, diz o documento.

As trocas comerciais do continente com os emergentes dobraram na última década e já somam 37% do total africano. Em 2009, a China ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o maior parceiro comercial do continente. Já as exportações do Brasil para a África mais que triplicaram entre 2003 e 2010, chegando a cerca de US$ 9 bilhões.

Apesar disso, o papel dos parceiros tradicionais, como são chamados os membros da OCDE (Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento), ainda é central. Eles são responsáveis por 62% das trocas comerciais, 80% do investimento e 90% da ajuda oficial ao desenvolvimento da África. Porém, o aumento da presença dos emergentes, principalmente a China, é um complemento importante que pode contribuir para melhorar a vida de milhões de africanos, avalia o relatório.

Revoltas no Norte da África

O relatório também faz uma previsão para a economia africana deste ano. O crescimento previsto para 2011 é de 3,7%, abaixo dos 4,9% de 2010. As revoltas dos últimos meses provocaram perdas na produção e prejudicaram o turismo, que é a maior fonte de renda de Egito e Tunísia. Outro fator para a queda no crescimento é a alta do preço dos alimentos, que esteve, inclusive, entre as motivações dos protestos.

A publicação é organizada por PNUD, OCDE, Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e Comissão Econômica da ONU para a África. Desde sua primeira edição, em 2002, o African Economic Outlook faz análises econômicas sobre o continente e realiza estudos sobre desenvolvimento.