Em visita ao Brasil, diretor-geral da OMS diz que investimentos em saúde impulsionam economia

Durante reunião realizada em Brasília (DF) com autoridades municipais, estaduais e federais, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) reiterou a importância da cobertura universal não só para que as populações tenham acesso ao seu direito básico à saúde, mas também como forma de promover o desenvolvimento dos países.

“Investimentos no setor de saúde não são apenas investimentos no setor de saúde. São investimentos para o crescimento econômico e para um futuro mais justo e próspero para todos”, afirmou.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), em encontro com o presidente brasileiro, Michel Temer. Foto: Marcos Corrêa/PR

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), em encontro com o presidente brasileiro, Michel Temer. Foto: Marcos Corrêa/PR

O encontro da Comissão Intergestores Tripartite, sediado mensalmente pelo escritório da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) em Brasília (DF), contou nesta quinta-feira (22) com a presença do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

No encontro, que reúne autoridades de saúde municipais, estaduais e federais, Tedros reiterou a importância da cobertura de saúde universal não só para que as populações tenham acesso ao seu direito básico à saúde, mas também como forma de promover o desenvolvimento dos países.

“Investimentos no setor de saúde não são apenas investimentos no setor de saúde. São investimentos para o crescimento econômico e para um futuro mais justo e próspero para todos”, afirmou.

Outro ponto destacado pelo diretor-geral da OMS foi a necessidade de garantir uma prestação de serviços de qualidade aos pacientes que buscam cuidados. “Se eles não forem seguros ou forem de baixa qualidade, as pessoas vão parar de usá-los. Isso pode levar a uma enorme carga de doenças que, definitivamente, terão um alto custo de tratamento”.

Tedros afirmou que cinco pilares devem ser levados em consideração para o aprimoramento dos serviços de saúde prestados à população. O primeiro deles é o comprometimento por parte das lideranças.

“Em todos os níveis de um sistema de saúde, é vital desenvolver líderes que coloquem a segurança do paciente e a melhoria da qualidade no ápice do atendimento clínico”, enfatizou.

Políticas claras também são necessárias para que “todo trabalhador de saúde conheça e compreenda as melhores práticas, com base nas melhores evidências, para manter os pacientes seguros e fornecer os cuidados corretos”.

O terceiro ponto diz respeito à melhora dos sistemas de saúde orientada por dados. De acordo com o diretor-geral da OMS, sistemas robustos devem acompanhar as práticas exitosas, bem como as que não funcionam, para, desta forma, fazer continuamente os ajustes adequados.

Tedros lembrou ainda que as “políticas e os sistemas são importantes, mas ao fim de tudo, os serviços de saúde são entregues por pessoas”. Por isso, a quarta prioridade é dar aos profissionais de saúde as condições, as habilidades, o treinamento e as ferramentas corretas para que possam realizar plenamente seu trabalho.

A quinta questão é envolver os pacientes e suas famílias “como verdadeiros parceiros no cuidado” – empoderando-os a participar ativamente do sistema de saúde.

Diretor-geral da OMS visita unidades de saúde em Brasília

Tedros visitou na quarta-feira (21) o Hospital da Criança de Brasília José Alencar, onde conversou com pacientes, voluntários, profissionais de saúde, e conheceu a estrutura da unidade, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é totalmente integrada à rede de atenção primária.

“Sem exagero, esse hospital poderia servir de modelo para outros países, um modelo para o mundo”, afirmou na ocasião.

Posteriormente, dirigiu-se à Unidade Básica de Saúde 1 de Itapoã, no Distrito Federal, onde conheceu a sala de vacinação, o atendimento odontológico, a organização da assistência por equipes de saúde e o trabalho dos agentes comunitários de saúde.

Durante a visita, o diretor-geral da OMS perguntou ao agente comunitário de saúde Lutero Tavares como era o dia a dia na unidade de saúde. O profissional respondeu que, em um dia típico, costuma ir às casas das pessoas checar se as vacinas estão em dia. Além disso, oferece orientações sobre estilos de vida saudáveis e como evitar fatores de risco para doenças.

Mais cedo, Tedros recebeu do presidente brasileiro, Michel Temer, a medalha de mérito Oswaldo Cruz na categoria ouro em reconhecimento aos serviços prestados à saúde pública brasileira. A honraria também foi entregue a Mariângela Batista, diretora-geral assistente para medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos da OMS, e para a própria Organização.

A premiação é inspirada em um dos mais reconhecidos cientistas e sanitaristas brasileiros e homenageia pessoas que se destacam no campo das atividades científicas, educacionais, culturais e administrativas para a saúde individual e coletiva dos brasileiros.

Em fevereiro, a medalha já havia sido entregue ao representante da OPAS/OMS no Brasil, Joaquín Molina. Na semana passada, a condecoração foi recebida pela diretora OPAS, Carissa F. Etienne, que esteve no país para assinatura de acordos e reuniões com autoridades nacionais e internacionais.

De manhã, Tedros discursou na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, onde destacou que a saúde universal deve ser tema priorizado pelos países, e declarou que o Brasil possui um sistema de saúde capaz não apenas de garantir as necessidades cotidianas da população, mas também de se defender contra surtos.

“Vimos isso muito claramente no recente surto de febre amarela. Felicito o governo brasileiro por sua rápida resposta, que salvou muitas vidas”, declarou, destacando o importante papel do país na produção de vacinas contra a doença.

De acordo com o diretor-geral da OMS, a saúde é um direito de todas as pessoas e não um privilégio de alguns. “Pode tirar as pessoas da pobreza, removendo uma de suas causas; criar empregos para trabalhadores de saúde e cuidados; impulsionar o crescimento econômico inclusivo, assegurando que as pessoas sejam saudáveis e capazes de trabalhar; e promover a igualdade de gênero”.

O diretor-geral da OMS disse ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS) é uma poderosa força para alcançar a equidade.

“O fato de todos os serviços e produtos, incluindo medicamentos e vacinas, serem fornecidos gratuitamente é uma base sólida não só para uma saúde melhor, mas também para o desenvolvimento”, declarou. Ele também reconheceu que o Brasil está dando grandes passos na distribuição equitativa de profissionais de saúde em seu território.

Tedros apresentou aos parlamentares três ambiciosas metas incluídas no plano estratégico da OMS para os próximos cinco anos: ver 1 bilhão de pessoas aproveitando os benefícios da cobertura de saúde universal; ver 1 bilhão de pessoas protegidas contra emergências de saúde; e, por fim, ver 1 bilhão de pessoas vivendo com mais saúde e bem-estar.

O desafio do Brasil, segundo ele, é “tomar decisões difíceis sobre prioridades, com base nas evidências mais atualizadas”. Na ocasião, reafirmou o compromisso da OMS em trabalhar junto ao país para garantir que o acesso à saúde seja um direito de toda a população.

Dia Mundial da Saúde

Com o lema “Saúde universal: para todos, em todos os lugares”, a campanha do Dia Mundial da Saúde deste ano tem o objetivo de aumentar a conscientização sobre a necessidade de cobertura e acesso à saúde universal e os benefícios que isso pode trazer.

A OMS foi fundada sob o princípio de que todas as pessoas podem realizar o seu direito ao mais alto padrão possível de saúde. Há mais de 70 anos, “Saúde para todos” tem sido a visão orientadora da organização. No entanto, pelo menos metade da população mundial ainda não tem acesso aos serviços de saúde dos quais necessitam, o que leva milhões de pessoas à pobreza enquanto lutam para pagar seus gastos com saúde.

“Saúde para todos” também é a força motriz da iniciativa da OPAS/OMS para apoiar os países de todo o mundo em sua busca pela saúde universal.

Neste ano, as Américas marcam o 40º aniversário da Declaração de Alma-Ata. Embora grandes avanços tenham sido alcançados na saúde, a região continua a ser uma das mais desiguais. Em resposta a isso, um movimento coletivo de transparência, responsabilidade e advocacy evoluiu em um impulso para a saúde universal.