Em visita à Síria, representantes de UNICEF e WFP alertam para impacto do conflito sobre crianças

É urgente acabar com a violência na Síria e melhorar o acesso da ajuda humanitária em todo o país, disseram na terça-feira (3) a diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Henrietta Fore, e o diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos (WFP), David Beasley.

Ao encerrar uma visita de dois dias ao país, os dois chefes das agências também enfatizaram a necessidade de fornecer às famílias serviços básicos e melhorar suas condições econômicas.

A viagem ocorre em meio a uma escalada militar no noroeste da Síria e no momento em que o conflito está prestes a entrar em seu décimo ano. A guerra deixou um terço do povo sírio em situação de insegurança alimentar, uma em cada três crianças fora da escola e mais da metade de todas as instalações de saúde não funcionais.

Em 3 de março de 2020 na Síria, o diretor executivo do PMA, David Beasley (sentado, no centro), e a diretora executiva do UNICEF, Henrietta H. Fore (em pé, segundo da direita), visitam crianças da terceira série na escola Tal-Amara no sul rural de Idlib. Foto: UNICEF

Em 3 de março de 2020 na Síria, o diretor executivo do PMA, David Beasley (sentado, no centro), e a diretora executiva do UNICEF, Henrietta H. Fore (em pé, segundo da direita), visitam crianças da terceira série na escola Tal-Amara no sul rural de Idlib. Foto: UNICEF

É urgente acabar com a violência na Síria e melhorar o acesso da ajuda humanitária em todo o país, disseram na terça-feira (3) a diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Henrietta Fore, e o diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos (WFP), David Beasley.

Ao encerrar uma visita de dois dias ao país, os dois chefes das agências também enfatizaram a necessidade de fornecer às famílias serviços básicos e melhorar suas condições econômicas.

A viagem ocorre em meio a uma escalada militar no noroeste da Síria e no momento em que o conflito está prestes a entrar em seu décimo ano. A guerra deixou um terço do povo sírio em situação de insegurança alimentar, uma em cada três crianças fora da escola e mais da metade de todas as instalações de saúde não funcionais.

“As crianças na Síria estão sofrendo o impacto de uma guerra impiedosa e continuarão sofrendo muito depois que as armas ficarem em silêncio”, disse Henrietta Fore, diretora-executiva do UNICEF.

“Nos últimos nove anos, escolas e hospitais foram bombardeados, famílias foram destruídas e vidas jovens foram perdidas. Mesmo em áreas distantes da linha de frente, as famílias estão lutando para alimentar suas crianças e reconstruir sua vida. Para os responsáveis por esse fracasso coletivo na Síria: a História vai julgá-los severamente.”

Nove anos de guerra deixaram a economia da Síria quase em colapso, levando milhões de pessoas à fome e à insegurança alimentar. Entre 2018 e 2019, o número de pessoas com insegurança alimentar aumentou de 6,5 milhões para 7,9 milhões, e os preços dos alimentos subiram 60%.

“As milhões de pessoas cujas vidas foram destruídas pela guerra não podem mais pôr comida na mesa, já que a economia síria sofreu uma queda nos últimos meses”, disse David Beasley, diretor-executivo do WFP.

“O WFP está fornecendo assistência alimentar a mais de 7,5 milhões de pessoas na Síria e nos países vizinhos que, de outra forma, estariam por conta própria. A guerra transformou a Síria em um país destruído e, acima de tudo, o povo precisa desesperadamente de paz.”

Durante a viagem, Fore e Beasley visitaram uma escola, um centro de distribuição de alimentos e uma clínica de saúde em Sinjar, no sul de Idlib, a 30 quilômetros da linha de frente.

Eles conheceram crianças de 9 anos que nasceram no ano em que a guerra começou e estão recuperando o aprendizado depois de anos perdidos. Também visitaram uma mulher que perdeu sua pequena empresa quando a guerra a forçou a deixar sua casa e agora depende da assistência do WFP para alimentar seus três irmãos mais novos que vivem com deficiência.

Mais ao norte em Idlib, a situação das crianças e das famílias se tornou ainda mais crítica: mais de meio milhão de crianças foram deslocadas nos últimos três meses. Cerca de 180 escolas estão fora de operação porque foram destruídas, danificadas ou estão sendo usadas como abrigo para famílias deslocadas. Os preços dos alimentos aumentaram 120% desde o ano passado.

Enquanto isso, no nordeste, dezenas de milhares de crianças continuam definhando em campos de desabrigados, privados dos serviços mais básicos, apesar dos esforços significativos dos parceiros humanitários. Cerca de 28 mil crianças de mais de 60 países, incluindo 20 mil do Iraque, permanecem presas no campo de Al Hol, rejeitadas por seus governos e evitadas por suas comunidades.

Em suas reuniões com funcionários do governo, Fore e Beasley renovaram o compromisso de suas agências de ajudar as crianças e famílias mais vulneráveis da Síria e fornecer educação, nutrição, saúde, serviços de proteção e alimentação.

Eles enfatizaram que a capacidade de deslocar funcionários e suprimentos através de linhas de conflito e além-fronteiras é fundamental para alcançar as populações mais necessitadas, principalmente porque 11 milhões de pessoas no país — incluindo 5 milhões de crianças — precisam de assistência humanitária.

Os dois chefes das agências também pediram a proteção de crianças e da infraestrutura civil e a cessação das hostilidades no noroeste do país.

Fore falou ainda sobre a necessidade de abordar a situação das crianças estrangeiras no nordeste, em consonância com a Convenção sobre os Direitos da Criança e os melhores interesses das crianças.

O UNICEF e o WFP estão trabalhando em conjunto na Síria para ajudar a prevenir e tratar a desnutrição, fortalecer a coleta de dados e fornecer alimentação escolar para manter as crianças na escola.