Em visita à Síria, chefe do ACNUR pede investimentos para assistência humanitária

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Após visitar Alepo e Homs nesta semana, o alto-comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, alertou na quarta-feira (1) que o estabelecimento da paz na Síria é uma questão urgente. Segundo ele, a assistência humanitária no país precisa de recursos e investimentos devem ser liberados ‘independentemente de todas as questões políticas em torno da guerra’.

Em Alepo, Grandi conheceu crianças que moram no abrigo de Jibreen, que atualmente é o lar de mais de 5 mil pessoas deslocadas pela violência na cidade. Foto: ACNUR / Firas Al-Khateeb

Em Alepo, Grandi conheceu crianças que moram no abrigo de Jibreen, que atualmente é o lar de mais de 5 mil pessoas deslocadas pela violência na cidade. Foto: ACNUR / Firas Al-Khateeb

O alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, testemunhou em primeira mão a devastação provocada pela guerra na Síria. Após visitar Homs no início da semana (30) e Alepo na quarta (1), o dirigente alertou que “é urgente que a paz se estabeleça para que a reconstrução (do país) recomece”.

“O nível de destruição é muito maior do que eu pensava. Eu não imaginava que ela estaria por todo lado. Você dirige por milhas e milhas e continua vendo casas de civis destruídas, escolas destruídas, hospitais destruídos. Tudo foi deixado em ruínas”, lamentou o chefe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) a respeito da conjuntura em Alepo.

Grandi frisou que alguns sírios vivendo na cidade precisam receber assistência imediatamente. “Eles estão com frio, estão com fome, precisam trabalhar para conseguir algum dinheiro. Eles precisam das coisas mais básicas para viver”, enfatizou o alto-comissário.

O mundo tem que voltar à solidariedade,
tem que pensar novamente nessas pessoas
— não com medo, não com suspeitas,
mas com braços abertos, com uma mente aberta,
com um coração aberto.

O dirigente acrescentou que o ACNUR e outros organismos humanitários precisam de recursos, “independentemente de todas as questões políticas em torno desta guerra”. “Isso é absolutamente necessário e urgente para milhões de pessoas na Síria. Nós vimos isso em Damasco, em Homs, em Alepo. Todo o povo sírio precisa de ajuda”, acrescentou.

O chefe da agência fez um apelo à comunidade internacional e pediu mais compaixão pelos refugiados e vítimas de guerras, perseguições e violência.

“O mundo tem que voltar à solidariedade, tem que pensar novamente nessas pessoas — não com medo, não com suspeitas, mas com braços abertos, com uma mente aberta, com um coração aberto. Eles precisam de ajuda, eles precisam de proteção enquanto a guerra continua. Um dia, eles voltarão para cá e reconstruirão essas cidades. Mas agora, na hora da necessidade, não podemos esquecer seu sofrimento, precisamos ajudá-los”, afirmou.

Alto-comissário conheceu sírios deslocados pela guerra em Homs

Em Homs, cidade devastada pela guerra em abril de 2016, alguns antigos moradores já estão retornando para reerguer o que foi arrasado pelas hostilidades. Grandi conheceu dois projetos voltados especificamente para esse público e que recebem apoio do ACNUR.

Um deles, o El-Birr Social Welfare Centre, oferece treinamento vocacional e cursos educacionais para pessoas deslocadas, além de oferecer assistência para crianças.

A outra iniciativa é um abrigo que dá moradia para retornados que tiveram suas casas destruídas. Criado e mantido pela Child Care Society No local —, o local é um dos três abrigos que operam em Homs e serve de residência para 34 famílias. Os moradores do edifício dizem que as condições de vida são melhores do que nas escolas onde eles foram forçados a se abrigar em um primeiro momento.

“Eu perdi tudo. Não tenho condições de comprar ou alugar nada, por enquanto estou bem aqui”, foi assim que Rabii, um senhor de idade, descreveu sua situação para Grandi.

Em Homs, Grandi visitou projetos apoiados pelo ACNUR, como abrigos e centros de ensino profissionalizante. Foto: ACNUR / Bassam Diab

Em Homs, Grandi visitou projetos apoiados pelo ACNUR, como abrigos e centros de ensino profissionalizante. Foto: ACNUR / Bassam Diab

Assim como Rabii, Baraá, de 28 anos, explicou que teve de deixar Homs quando a crise teve início. O rapaz disse ao alto-comissário que teve de se mudar diversas vezes antes de finalmente chegar ao abrigo.

A visita de Grandi à Síria acontece em meio a uma crescente discussão sobre a criação de ‘zonas de segurança’ no país. “Os governos devem se concentrar em reestabelecer a paz e então iniciar a reconstrução”, enfatizou o chefe do ACNUR. Para ele, é isso que garantirá o retorno de deslocados forçados aos seus lares, cidades e regiões de origem.

O ACNUR está na Síria prestando apoio à população forçada a deixar suas casas. As necessidade são imensas e urgentes. Para doações, clique aqui.


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