Em visita à Nova Zelândia, Guterres pede solidariedade para acabar com discursos de ódio

Em visita de três dias à Nova Zelândia, o secretário-geral das Nações Unidas prestou homenagem às vítimas dos ataques contra mesquitas em Christchurch, onde dezenas de muçulmanos foram mortos a tiros em dois incidentes separados durante orações em 15 de março.

Pedindo solidariedade e tolerância para conter o recente surto em discursos de ódio, António Guterres visitou a mesquita de Linwood, onde depositou uma coroa de flores, e a mesquita de Al Noor.

Secretário-geral da ONU, António Guterres, fala à imprensa após visitar a mesquita de Al Noor em Christchurch, Nova Zelândia. Foto: ONU/Mark Garten

Em visita de três dias à Nova Zelândia, o secretário-geral das Nações Unidas prestou homenagem às vítimas dos ataques contra mesquitas em Christchurch, onde dezenas de muçulmanos foram mortos a tiros em dois incidentes separados durante orações em 15 de março. Pedindo solidariedade e tolerância para conter o recente surto em discursos de ódio, António Guterres visitou a mesquita de Linwood, onde depositou uma coroa de flores, e a mesquita de Al Noor.

Na mesquita de Al Noor, Guterres disse nesta terça-feira (14) à comunidade muçulmana que, embora não existam palavras para aliviar o sofrimento e a dor, “gostaria transmitir pessoalmente amor, apoio e total e completa admiração”. Em 15 de março, um atirador solitário matou 51 pessoas nos dois locais de adoração enquanto transmitia os ataques ao vivo nas redes sociais.

Ele disse que, como muitas pessoas de todo o mundo, foi movido pelas histórias de compaixão após os ataques em Christchurch.

“Mas, de muitas maneiras, não fiquei surpreso. Esta comunidade refletiu um espírito que sempre soube que está profundamente enraizado no Islã — uma fé de amor, compaixão, perdão e misericórdia”, disse.

Guterres relembrou que, na época em que era alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, testemunhou a generosidade de países muçulmanos que abriram suas fronteiras para pessoas em situação de vulnerabilidade, em um mundo onde muitas outras fronteiras foram fechadas.

“Isso está em linha com o que vejo como a mais bonita recomendação para proteção de refugiados na história do mundo. Ela é encontrada na sura Al-Tawbah, do Alcorão: ‘Se alguém buscar sua proteção, então conceda proteção para que ele possa ouvir as palavras de Deus. Então o escolte para onde ele possa estar seguro'”, citou Guterres.

Ele também relembrou que, durante visita ao Cairo no mês passado, se encontrou com o grande imã, o xeque Ahmed Al-Tayeb, e o agradeceu por seu recente encontro com o papa Francisco nos Emirados Árabes Unidos. A declaração assinada pelos dois líderes pede para pessoas de fé reconhecerem e respeitarem umas as outras e trabalharem juntas pelo bem da humanidade.

“Estamos juntos neste período de dificuldades”, disse o chefe da ONU, acrescentando que “discurso de ódio está se espalhando e o discurso público está sendo coagido”. “As redes sociais estão sendo exploradas como uma plataforma de intolerância. Precisamos mostrar solidariedade em resposta a este perigoso aumento de ódio”.

Não há espaço para discursos de ódio

O secretário-geral destacou duas iniciativas recentes que foram colocadas em prática para proteger locais sagrados e responder discursos de ódio.

Ele pediu para o alto-representante da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, Miguel Moratinos, desenvolver um Plano de Ação para a ONU se engajar totalmente no apoio à proteção de locais religiosos.

Enquanto isso, Guterres também pediu para o assessor especial para a Prevenção de Genocídios, Adama Dieng, reunir uma equipe da ONU para intensificar respostas a discursos de ódio e apresentar um plano global de ação.

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Every Ramadan I make a visit of solidarity somewhere around the world. This year, I travelled to Christchurch, New Zealand to be with the Muslim community after the horrific terrorist attacks there in March. No words can relieve the sorrow and pain they have suffered but I wanted to come in person to show my love, support and admiration. Hatred is on the rise. Communities all over the world are feeling vulnerable and insecure. Hate speech is spreading like wildfire on social media. We must extinguish it. Everyone has a role to play. We need to use platforms like @Instagram to increase understanding and tolerance — and to call out hatred whenever we see it. 📸: Mark Garten / UN Photo

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“Discursos de ódio estão se espalhando nas redes sociais como incêndios florestais. Precisamos extingui-los”, disse o secretário-geral. “Não há espaço para discursos de ódio – online ou off-line”.

Novamente citando o Alcorão, ele disse: “vos dividimos em povos e tribos para que conhecerdes uns aos outros”.

Agradecendo à comunidade muçulmana de Christchurch, Guterres disse: “nestes tempos difíceis, estou aqui para dizer de coração cheio: vocês não estão sozinhos”. “O mundo está com vocês. As Nações Unidas estão com vocês. Eu estou com vocês”.

A visita do secretário-geral à Nova Zelândia é parte de uma viagem a Estados insulares do Pacífico, na qual a questão da mudança climática também é foco. Na quarta-feira, ele irá participar do Fórum de Ilhas do Pacífico, realizado neste ano em Fiji, antes de visitar Tuvalu e Vanuatu.