Em visita à Bahia, presidente de fundo da ONU enfatiza importância da agricultura familiar

O presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU (FIDA), Kanayo F. Nwanze, visitou na semana passada duas cooperativas de agricultores apoiada pelo fundo no Sudoeste da Bahia, onde enfatizou a importância da agricultura familiar para o desenvolvimento das comunidades locais.

Presidente do FIDA, Kanayo F. Nwanze (centro), durante visita a cooperativa de agricultores na Bahia. Foto: FIDA

Presidente do FIDA, Kanayo F. Nwanze (centro), durante visita a cooperativa de agricultores na Bahia. Foto: FIDA

O presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU (FIDA), Kanayo F. Nwanze, visitou na semana passada duas cooperativas de agricultores apoiada pelo fundo no Sudoeste da Bahia, onde enfatizou a importância da agricultura familiar para o desenvolvimento das comunidades locais.

“Ao menos, nós lhe demos esperança e a esperança pode conquistar tudo”, afirmou Nwanze na quarta-feira (20) aos membros da Cooperativa de Produção e Comercialização dos produtos da Agricultura Familiar do Sudoeste da Bahia (COOPROAF) em Manoel Vitorino, sul do estado.

“Voltaremos para Roma impressionados e orgulhosos do que vimos aqui, do que vocês fizeram como nosso apoio e a sua determinação”, acrescentou.

A cooperativa deu início às suas atividades em 2010 e, um ano depois, verbas liberadas pelo projeto “Gente de Valor” — apoiado pelo FIDA — permitiram a seus membros instalar três centros de processamento que, após cinco anos, já levam para o mercado 300 toneladas de poupa de fruta, suco, geleias e gelatinas.

De acordo com a cooperativa, as maiores beneficiadas (75%) são as mulheres. Entre elas está a presidente da entidade, Helenita Souza. “As pessoas riam de mim quando dizia que, um dia, haveria caminhões carregados com produtos obtidos das frutas que saíam do armazém”, disse. “Eles não riem mais porque esse dia chegou. Embora nem todos os meus sonhos sejam realidade ainda, eu sei que estamos no caminho para o sucesso”, completou Helenita.

A cooperativa reúne centenas de famílias em torno da produção e comercialização de derivados de frutas nativas, principalmente o umbu. Segundo o site da entidade, a cooperativa contribuiu para dar maior visibilidade aos produtos derivados da fruta, com a profissionalização dos trabalhadores e formação de dirigentes.

O presidente do FIDA também visitou na semana passada a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC), na Bahia, e se reuniu com o governador do estado, Rui Costa.

Com agricultores de 18 comunidades da região, a COOPERCUC processa frutas nativas do bioma da caatinga, como umbu, maracujá, goiaba, entre outras. A cooperativa tem 279 membros, frente a 44 dez anos atrás, com vendas anuais de 1 milhão de reais.

Vencedora de diversos prêmios por boas práticas agrícolas, a organização tem certificação de produtos orgânicos e exporta para parceiros como as redes Slow Food, Occitane en Provence e Eataly.

Cooperativas são exemplo de que trabalhadores rurais podem obter importantes conquistas, disse presidente do FIDA na Bahia. Foto: FIDA

Cooperativas são exemplo de que trabalhadores rurais podem obter importantes conquistas, disse presidente do FIDA na Bahia. Foto: FIDA

Durante a visita, a presidente da COOPERCUC, Denise dos Santos, lembrou que a organização é um exemplo de que os trabalhadores rurais podem obter importantes conquistas.

Nascida em uma família de agricultores que estavam entre os fundadores da cooperativa 13 anos atrás, Denise estudou administração de empresas e, aos 26 anos, voltou a Uauá para liderar a cooperativa.

“Provamos que é possível viver no semiárido. Provamos que esta terra e este povo têm valor, e que o Nordeste é mais do que uma terra arrasada da qual as pessoas têm que sair sem olhar para trás”, completou.

Na ocasião da visita, o presidente do FIDA afirmou que era irônico produtores de alimentos muitas vezes serem atingidos pela fome e pela pobreza.

“Mas eu vi muitas vezes o que eles podem conseguir se tiverem as oportunidades certas. O FIDA trabalha com desenvolvimento. Mas sabemos que não desenvolvemos pessoas. As pessoas se desenvolvem sozinhas quando obtêm as ferramentas para isso”, declarou.