Em tempos de crise, crédito para estatais não cai, mas juros aumentam em 50 países, aponta FMI

Durante a crise financeira que teve início em 2008, a oferta de crédito para o setor público teve alta — o volume de empréstimos concedidos a estatais aumentou 8,5%. Mas a disponibilidade de recursos veio acompanhada de uma grande elevação dos juros. É o que revela um novo levantamento do Fundo Monetário Internacional (FMI), que analisou 18 mil empréstimos comerciais em 50 países para o período 2004-2011. Relatório foi divulgado neste mês (10).

Bolsa de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Foto: WikiCommons/Carlos Delgado

Bolsa de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Foto: WikiCommons/Carlos Delgado

Durante a crise financeira que teve início em 2008, a oferta de crédito para o setor público teve alta — o volume de empréstimos concedidos a estatais aumentou 8,5%. Mas a disponibilidade de recursos veio acompanhada de uma grande elevação dos juros. É o que revela um novo levantamento do Fundo Monetário Internacional (FMI), que analisou 18 mil empréstimos comerciais em 50 países para o período 2004-2011. Relatório foi divulgado neste mês (10).

Na comparação com o período pré-crise, os anos 2008-2011 viram um crescimento de 12% no crédito de bancos nacionais para os Estados onde operavam. Governos, porém, tiveram menos acesso a aportes de bancos estrangeiros — houve uma queda de 9% nos empréstimos dessas instituições para estatais. Apesar da redução, a média para os mutuários públicos aponta uma tendência de crescimento (8,5%), bem acima da redução (-17,6%) nos empréstimos em todo o mundo.

O cenário entre as estatais contrasta com os cortes no crédito para o setor privado (-38%). Na avaliação do FMI, a diminuição foi uma reação intuitiva do mercado — bancos têm menos informações sobre firmas particulares e preferem, em momentos de recessão, clientes mais confiáveis. Ao mesmo tempo, o fenômeno também poderia indicar que, em tempos de crise, a falta de transparência cresce no setor corporativo. Já os juros tiveram alta mínima, bem menor que para o setor público.

Também para o setor privado, o FMI identificou uma contração do crédito muito maior entre os bancos estrangeiros — com cortes de 50% nos empréstimos dessas instituições — do que entre os organismos financeiros domésticos (-34%).

Avaliando as categorias A, B, C e D da consultoria Standard and Poor’s para confiança e risco financeiro, o FMI revela, ao contrário do que poderia se esperar, um aumento de 23% nos empréstimos para o pior grupo durante a crise. Em todas as outras classificações, houve queda de no mínimo 28%. De acordo com o relatório, isso indica que empresas mais acima no ranking caíram de classificação devido à recessão, o que explica o volume de recursos injetados na categoria D.

EUA x o resto do mundo

O FMI também comparou as oscilações de bancos e mutuários estadunidenses com as médias para os credores e devedores de outras partes do mundo. Segundo o levantamento, em 2008-2011, as instituições financeiras norte-americanas reduziram em 44,8% o volume de empréstimos concedidos, ao passo que, no restante do planeta, houve aumento (4,8%).

Nos Estados Unidos, os bancos domésticos reduziram em 52,8% os empréstimos para companhias privadas. Uma tendência de queda (-17,45%) também foi identificada nos outros países. No entanto, quando considerados os mutuários públicos, decréscimos (-36%) foram observados apenas entre as estatais norte-americanas. Em outras nações, os empréstimos para empresas de Estado quase dobraram (92,6%) durante a crise.

Países desenvolvidos x países em desenvolvimento

Entre as nações ricas e emergentes, também houve discrepância — o volume de empréstimos cresceu 4,7% nos anos de crise nos países em desenvolvimento, mas teve retração (-19%) nas nações desenvolvidas. Tanto no setor público, quanto no privado, os Estados de economia de média e baixa renda viram a oferta doméstica de crédito crescer — bancos nacionais disponibilizaram quase 50% mais recursos para empresas particulares e 120%, para estatais.

Já nos países desenvolvidos, os empréstimos de instituições financeiras domésticas tiveram redução (-36,5%) para o setor privado e aumento modesto (10%) para o setor público.

Quando avaliada a oferta de organismos estrangeiros, o crédito teve alta (6,8%) para as estatais de nações em desenvolvimento, mas apresentou regressão (-11,7%) para as estatais de países ricos. A atuação de instituições de fora foi semelhante no caso dos empréstimos para empresas privadas — em Estados desenvolvidos e em desenvolvimento, houve queda de cerca de 50%.

O peso de investidores domésticos, porém, compensou as corporações de países em desenvolvimento. Firmas privadas dessas nações registraram contração de 14,7% no volume de empréstimos. Ainda que negativo, o valor ficou bem acima dos -40% verificados nas economias desenvolvidas.

Acesse o relatório do FMI na íntegra clicando aqui.