Em São Paulo, refugiados e migrantes jogam futebol para celebrar respeito à diversidade

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Os jogos da Copa da Integração eram amistosos, mas as disputas em campo foram acirradas. No último domingo (30), refugiados e migrantes se reuniram no SESC Itaquera, em São Paulo, para uma competição de futebol organizada pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Seis times mistos, compostos por homens e mulheres, jogaram para ganhar o torneio, realizado para integrar os estrangeiros à cidade por meio da prática esportiva.

O refugiado sírio Adbul (à direita), um dos responsáveis pela organização da Copa de Integração, entre troféus ao final da Copa da Integração. Foto: SESC-SP/Junior Pacheco

O refugiado sírio Adbul (à direita), um dos responsáveis pela organização da Copa de Integração, entre troféus ao final da Copa da Integração. Foto: SESC-SP/Junior Pacheco

Os jogos da Copa da Integração eram amistosos, mas as disputas em campo foram acirradas. No último domingo (30), refugiados e migrantes se reuniram no SESC Itaquera, em São Paulo, para uma competição de futebol organizada pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Seis times mistos, compostos por homens e mulheres, jogaram para ganhar o torneio, realizado para integrar os estrangeiros à cidade por meio da prática esportiva.

“Eu quase fiz aquele gol, que mudaria tudo, mas errei o chute e a bola foi para fora. Para o próximo ano vou acertar o pé para que minha equipe consiga as vitórias, mas a participação aqui hoje já foi muito legal. Isso foi importante para fazer com que a gente se distraia um pouco, converse mais e também consiga fazer o corpo trabalhar, né?”, conta a angolana Gracia, que mora há oito meses no Brasil.

Essa é quarta edição da Copa da Integração. Iniciativa contou com o apoio da organização África do Coração, do SESC-SP e das empresas Netshoes e Sodexo. Um dos destaques do torneio de 2017 foi a adoção de regras que prezassem pela diversidade, garantindo, por exemplo, que homens e mulheres jogassem lado a lado e dividissem suas responsabilidades em campo, sempre em colaboração e com respeito.

“Nós realizamos a Copa para quebrar as barreiras que ainda podem existir no pensamento de algumas pessoas que são machistas e racistas. Aqui no Brasil, todas as pessoas têm direitos iguais e isso é uma grande conquista quando se pensa em justiça e paz. A participação de mulheres jogando com os homens, de refugiados com migrantes, reforça que todos somos pessoas em busca de uma vida digna”, disse o sírio Abdul Baset, que participou da organização da competição.

Participantes receberam medalhas por competir de forma justa, respeitando os adversários. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Participantes receberam medalhas por competir de forma justa, respeitando os adversários. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Os integrantes das equipes participantes vivem atualmente em casas de acolhimento em São Paulo — a Missão Paz, Terra Nova e Sefras, Associação Palotina, Instituto Lygia Jardim e os Centros de Acolhida para Imigrantes da Bela Vista e do Pari. A final foi disputada entre os dois Centros de Acolhida. O vencedor foi o time do Pari, com um placar aperta — 2 a 1.

Durante as partidas, o SESC Itaquera promoveu atividades de recreação e lazer para as crianças refugiadas e migrantes que foram acompanhar seus pais. Também presente, a Cruz Vermelha de São Paulo apresentou seu serviço de Restabelecimento de Laços Familiares (RLF). O programa faz um cadastro de quem tem interesse em buscar familiares desaparecidos em outros países. A Sodexo forneceu kits de alimentação para todos os jogadores.

O próximo evento esportivo promovido pelo ACNUR e seus parceiros, incluindo a Cáritas São Paulo, é a realização da já consagrada Copa dos Refugiados, que terá início no dia 13 de agosto, no Parque da Aclimação. A competição será disputada por 16 seleções, compostas por pessoas refugiadas que residem em São Paulo. A final já está marcada para o dia 27, no Estádio Municipal do Pacaembu.


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