Em São Paulo, iniciativa apoiada pelo ACNUR leva refugiados para o maior festival de inovação da América Latina

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Realizada em São Paulo no último fim de semana, a quinta edição do Festival Path recebeu 16 refugiados que vivem na cidade e vêm de países como Síria, Colômbia, Camarões e Mali. Eles trabalharam na organização do maior evento de inovação e criatividade da América Latina e, durante as palestras e apresentações culturais, tiveram a oportunidade de fazer contatos profissionais.

Participação foi promovida pelo Programa de Apoio para a Recolocação de Refugiados (PARR), uma iniciativa que conta com o suporte do ACNUR.

Refugiados que trabalharam na orientação do público posam para foto na abertura da quinta edição do Festival Path, o maior festival de inovação da América Latina, realizado em São Paulo. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Refugiados que trabalharam na orientação do público posam para foto na abertura da quinta edição do Festival Path, o maior festival de inovação da América Latina, realizado em São Paulo. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Realizada em São Paulo no último fim de semana, a quinta edição do Festival Path recebeu 16 refugiados que vivem na cidade e vêm de países como Síria, Colômbia, Camarões e Mali. Eles trabalharam na organização do maior evento de inovação e criatividade da América Latina e, durante as palestras e apresentações culturais, tiveram a oportunidade de fazer contatos profissionais.

Muitos microempreendedores se mostraram interessados em ajudar os refugiados a se inserirem no mercado de trabalho brasileiro. Foi o caso da gestora de marketing e curadora cultural da Expomusic, Renata Gomes, que ficou admirada com a performance de Leonardo Matumona e Hidras Tuala, músicos da República Democrática do Congo. A dupla fez um show durante o festival.

“Eles me disseram que são parte de um trio de cantores, chamado de ‘Os Escolhidos’. Fiquei encantada com a performance e toda a técnica que apresentaram. Já entrei em contato com um produtor musical para os conhecer e pensar no futuro profissional dos rapazes”, revelou Renata.

Matumona, um dos integrantes do grupo, tem 21 anos e há cinco vive no Brasil. Quando chegou ao país, ainda era menor de idade e estava sozinho, sem nenhum parente. O cantor conheceu os demais membros do trio em uma igreja de São Paulo, onde todos cantavam em um coral.

“Tínhamos timbres de voz parecidos e isso nos aproximou. Formamos o trio para tentar relembrar e deixar viva as nossas histórias, assim como as canções de nossos ancestrais. Nossas músicas são composições próprias que refletem o contexto de deslocamento forçado, mas acima de tudo a busca pela paz e felicidade”, explica.

Quando perguntado sobre seus planos, seu sonho fica evidente: “conquistar o devido reconhecimento de nossos trabalhos artísticos e conseguir viver de música, que é o que a gente gosta de fazer”.

Os cantores Hidras Tuala e Leonardo Matumona, integrantes do grupo musical “Os Escolhidos”, apresentam-se durante palestra do Festival Path. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Os cantores Hidras Tuala e Leonardo Matumona, integrantes do grupo musical “Os Escolhidos”, apresentam-se durante palestra do Festival Path. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Para outros refugiados, os desejos para o futuro passam pela aspiração em reconquistar no Brasil os trabalhos que exerciam em seus países de origem. Cristiano, colombiano de 40 anos, era empresário no estado de Nariño. Ele comercializava madeiras finas para a Europa, para a Ásia e para as Américas.

Formado em administração e com pós-graduação em comércio exterior, Cristiano vive no Brasil há pouco mais de dois anos, com sua esposa e duas filhas. Depois de ter sido sequestrado e ameaçado por um grupo armado da Colômbia, ele decidiu que era hora de deixar para trás a vida em Nariño.

“Pretendo reconstruir minha vida no Brasil, junto com minha família. Aqui se vive com paz e tranquilidade, o oposto de onde fui obrigado a sair. Agora já me sinto um brasileiro com sangue colombiano e pretendo ter acesso a recursos para empreender. Enquanto isso não acontece, tenho receita com aulas de espanhol”, disse.

Cristiano, refugiado colombiano que era empresário em seu país de origem, posa ao lado de banner de uma campanha do ACNUR e do PARR para dar visibilidade à qualificação dos refugiados no Brasil, que buscam se recolocar no mercado de trabalho. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Cristiano, refugiado colombiano que era empresário em seu país de origem, posa ao lado de banner de uma campanha do ACNUR e do PARR para dar visibilidade à qualificação dos refugiados no Brasil, que buscam se recolocar no mercado de trabalho. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

A monitora brasileira Manuela Pimental, que trabalhou na organização das palestras em um dos auditórios do festival, achou “maravilhoso trabalhar com essas pessoas, conhecer suas histórias, as conquistas e os conhecimentos que detêm”. “Ter ao lado uma pessoa que até então só conhecia pelo noticiário me fez admirá-los ainda mais. São muito alegres, esforçados, atenciosos e super interessados em aprender”, elogiou.

Para Rafael Vettori, responsável pelo Festival Path, não existe inovação sem diversidade. “O Path, como festival de inovação e criatividade que é, esteve e sempre estará de portas abertas para o mundo. No caso da contratação de refugiados para a edição de 2017, nossa intenção foi estimular a convivência e a aceitação deles entre os brasileiros”, apontou.

Para ele, “mesmo com o destaque que têm na mídia, para muitos paulistanos os refugiados ainda são invisíveis”. “Então, quisemos aproximá-los do nosso público e mostrar suas qualidades e vocações”, completou.

Os refugiados que participaram do evento foram indicados pelo Programa de Apoio para a Recolocação de Refugiados (PARR), iniciativa social da empresa EMDOC, uma consultoria jurídica especializada em imigração e expatriados.

O PARR conta com o suporte da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo. Além dos 16 refugiados encaminhados ao Festival Path, o PARR possui mais de 1,6 mil currículos de refugiados cadastrados e cerca de 200 empresas associadas.

Currículos dos refugiados participantes foram distribuídos durante o festival. Os esforços promovidos pelo ACNUR, o PARR e os organizadores do Path têm por objetivo encontrar soluções de longo prazo para os desafios de refugiados vivendo no Brasil. A ideia é garantir seu bem-estar, incluindo por meio da oferta de empregos dignos.


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