Em São Paulo, adolescentes refugiados concluem curso para se tornarem jovens aprendizes

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Em São Paulo, 24 adolescentes da Síria, República Democrática do Congo, Serra Leoa, Congo Brazzaville e Angola concluíram nesta segunda-feira (6) o projeto Jovem Aprendiz Refugiados. Ao longo de dois meses, a turma participou de formações que abordaram habilidades para a entrada no mercado de trabalho. Em cerimônia de entrega dos diplomas, os alunos contaram como a capacitação os permitiu transformar as incertezas do passado em conhecimentos para o futuro. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

A primeira turma do projeto Jovem Aprendiz Refugiado, promovido pelo grupo Mulheres do Brasil, exibe seus diplomas ao lado das professoras que os acompanharam ao longo de dois meses. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

A primeira turma do projeto Jovem Aprendiz Refugiado, promovido pelo grupo Mulheres do Brasil, exibe seus diplomas ao lado das professoras que os acompanharam ao longo de dois meses. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Em São Paulo, 24 adolescentes da Síria, República Democrática do Congo, Serra Leoa, Congo Brazzaville e Angola concluíram nesta segunda-feira (6) o projeto Jovem Aprendiz Refugiados. Ao longo de dois meses, a turma participou de formações que abordaram habilidades para a entrada no mercado de trabalho. Em cerimônia de entrega dos diplomas, os alunos contaram como a capacitação os permitiu transformar as incertezas do passado em conhecimentos para o futuro.

“Estou há pouco tempo no Brasil, faz apenas seis meses que cheguei e me sinto muito bem aqui. O Brasil é um país acolhedor, os professores são dedicados a fazer com que aprendamos o máximo possível e, como em dez anos eu quero me tornar empreendedor, ter esse curso como formação básica já foi um ótimo início”, afirmou João Elias, angolano de 16 anos.

O projeto foi idealizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, tendo surgido durante uma reunião do comitê de refugiados que integra este grupo e tem o objetivo de pensar em soluções que facilitem o processo de integração local de refugiados residentes no Brasil. A iniciativa contou com contribuição de um conjunto de empresas, como Grupo Segurador Banco do Brasil e MAPFRE, Serasa, Gradual Investimentos, Tozzini Freire Advogados, Tokio Marine, Projeto RH, Unicred do Brasil, Magazines Luiza, Fundação Dom Cabral e Hotel Blue Tree, além de contribuições voluntárias individuais.

Os participantes foram selecionados pelo Programa de Apoio e Recolocação do Refugiado (PARR), projeto social que visa à recolocação do refugiado no mercado de trabalho brasileiro. O PARR é 100% financiado pela EMDOC, consultoria especializada em mobilidade global. Para além das reflexões, o projeto Jovem Aprendiz Refugiado é uma ação concreta da iniciativa privada em busca de propostas de formação vocacional, inclusão digital e dentro das empresas.

“Aprendi muito e tenho ainda muito que aprender, mas me sinto preparada para começar a trabalhar em uma grande empresa que olhe para mim acreditando em meu potencial porque sei que tenho muito a contribuir”, disse Deborah, de 21 anos, durante a formatura na sede do Grupo Segurador Banco do Brasil.

“O envolvimento do setor privado em atividades de formação, capacitação e desenvolvimento profissional é uma atitude de muito apreço para a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Na visão da agência, é fundamental que as pessoas refugiadas tenham oportunidades de se desenvolver plenamente, adaptando-se ao novo país para atingir a autossuficiência que os fará prosperar, fortalecendo com isso a economia local e o desenvolvimento da sociedade ao qual a pessoa refugiada está inserida”, defendeu Paulo Sérgio de Almeida, oficial de Integração Local do ACNUR no Brasil.

Tony, pai de uma adolescente recém-formada da República Democrática do Congo, enfatiza dois aspectos muito positivos do projeto: o de propiciar uma sólida base de conhecimentos e de forma gratuita, antes dos jovens terem seu primeiro trabalho, para que já estejam preparados para o que vão enfrentar.

“É uma oportunidade grandiosa já que minha filha está no momento de pensar no que ela quer para o futuro dela, que tipo de profissão seguir e em que área atuar. Este projeto se traduz em uma chance real de melhoria de vida destes jovens que passam a ter um futuro mais promissor, ampliando suas capacidades e fortalecendo seus talentos”, explicou Tony em inglês, por ainda não dominar a língua portuguesa tão bem quanto sua própria filha.


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