Em Roraima, projeto capacita brasileiras e venezuelanas para enfrentar violência de gênero

Realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e instituições parceiras, o projeto Promotoras Legais Populares completou três semanas de oficinas voltadas para a capacitação de mulheres em Boa Vista (RR).

A iniciativa pretende empoderar e formar 30 lideranças comunitárias, entre brasileiras e venezuelanas. Formação aborda direitos, conceitos e políticas públicas sobre combate à violência de gênero.

Grupo se reúne aos sábados, em oficinas que durarão até o próximo mês. Foto: UNFPA Brasil/Fabiane Guimarães

Grupo se reúne aos sábados, em oficinas que durarão até o próximo mês. Foto: UNFPA Brasil/Fabiane Guimarães

Realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e instituições parceiras, o projeto Promotoras Legais Populares completou três semanas de oficinas voltadas para a capacitação de mulheres em Boa Vista (RR). A iniciativa pretende empoderar e formar 30 lideranças comunitárias, entre brasileiras e venezuelanas. Formação aborda direitos, conceitos e políticas públicas sobre combate à violência de gênero.

No último sábado (22), as participantes do programa puderam aprender sobre os diversos serviços e instituições que trabalham no enfrentamento à violência contra a mulher. Entre as políticas discutidas, estavam o Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher), o Disque 100 (Disque Direitos Humanos), o 190, da Polícia Militar, e a Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM).

Também foi debatido o papel dos Juizados de Violência Doméstica, dos núcleos especializados da Promotoria e Defensoria Pública e da Casa da Mulher Brasileira. No encontro do final de semana, as mulheres que frequentam o Promotoras Legais Populares receberam a cartilha “Disque 180”, um material produzido pelo UNFPA com informações sobre o tema.

Na semana anterior, o tópico da oficina da agência da ONU foi a linha histórica dos direitos das mulheres, compreendendo o período de 1970 a 2019. Também foram abordadas questões sobre racismo, xenofobia e violência contra as mulheres LGBT.

“Na linha do tempo que construímos juntas, consta a Conferência do Cairo de 1994, que foi decisiva para os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Em especial, no que se refere à capacidade de tomar decisões sobre sua própria vida. Nesse momento, falamos sobre o trabalho do UNFPA na promoção desses direitos em Roraima”, conta a especialista em Mobilização de Campo do UNFPA em Roraima, Débora Rodrigues.

“Além disso, as participantes venezuelanas foram convidadas a complementar a linha do tempo com os acontecimentos relevantes ocorridos na Venezuela.”

O projeto Promotoras Legais Populares tem tido repercussão positiva na vida das participantes. Uma delas é a venezuelana Desirré de Jesus Valdez, uma mulher transexual que ocupa posição de liderança dentro do abrigo da Operação Acolhida onde está alojada. Ela caminha com a cartilha produzida pelo Fundo de População sempre a tiracolo e já alertou os responsáveis pela coordenação de seu abrigo sobre vários casos de violência.

“Aqui podemos aprender, eu e minhas companheiras, sobre os tipos de violências, sobre a Lei Maria da Penha, feminicídios e agressões contra as mulheres trans e lésbicas. Para mim, isso é muito importante porque posso levar tudo que aprendo às mulheres venezuelanas que estão passando por esse problema”, explica.


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