Em reunião com Conselho de Segurança da ONU, Guterres destaca: prevenção é o caminho para a paz

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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou hoje (10) a necessidade de novos e vigorosos esforços para construir e manter a paz, incluindo prevenção, resolução de conflito, construção e manutenção da paz e desenvolvimento sustentável. Para ele, prevenção não é apenas uma prioridade: é a prioridade. Ele fez o primeiro discurso formal no Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou nessa terça-feira (10) a necessidade de novos e vigorosos esforços para construir e manter a paz, incluindo de prevenção, resolução de conflito e manutenção da paz até construção da paz e desenvolvimento sustentável. Ele fez o primeiro discurso formal no Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque.

“Gastamos mais tempo e recursos respondendo a crises do que as prevenindo. As pessoas estão pagando um preço muito alto (…). Precisamos de uma abordagem completamente nova”, afirmou durante o debate de prevenção de conflito e manutenção da paz.

Ele acrescentou que tem sido difícil persuadir os tomadores de decisão nacionais e internacionais de que a prevenção deve ser prioridade. “Talvez porque o sucesso da prevenção não chama atenção. As câmeras de TV não aparecem quando uma crise é evitada”, afirmou.

O chefe da ONU – cujo mandato de cinco anos começou no dia 1º de janeiro – lembrou que enquanto a maioria dos conflitos contemporâneos é basicamente interna, eles provocam consequências regionais e até globais. Ao dizer que a resposta da ONU a tais desafios permanece fragmentada, Guterres realçou que mudanças são necessárias para alcançar o equilíbrio entre paz e segurança.

“Prevenção não é apenas uma prioridade, é a prioridade. Se assumirmos nossas responsabilidades, salvaremos vidas, reduzindo o sofrimento e dando esperança a milhões”, afirmou. “Por décadas, isto foi dominado pela resposta a conflitos. Para o futuro, precisamos fazer mais para prevenir e manter a paz”, acrescentou.

Guterres também informou aos membros do Conselho as iniciativas de reforma no Secretariado da ONU, em particular com relação ao processo de tomada de decisão e no fortalecimento da capacidade de integrar todos os pilares das Nações Unidas – paz e segurança, direitos humanos e desenvolvimento. Ele pediu o apoio do Conselho de Segurança e de todos os 193 membros da Assembleia Geral.

No discurso, o secretário-geral conclamou para que todos os setores da sociedade façam investimentos econômicos, políticos e culturais em inclusão e coesão, para que as pessoas possam perceber os benefícios da diversidade em vez de percebê-la como uma ameaça.

“Todos os grupos precisam ver suas identidades individuais respeitadas, enquanto sentem que pertencem a uma comunidade como membros valorizados”, disse, enfatizando particularmente o papel da sociedade civil em detectar quando este respeito for ameaçado ou perdido.

Ao pedir que o Conselho use mais as opções dispostas no Capítulo 6 da Carta das Nações Unidas, que trata de manutenção da paz e disputas, Guterres pediu o apoio dos membros do órgão, incluindo o uso de sua influência global e seu envolvimento pessoal.

Ele também alertou que muitas oportunidades para prevenir conflitos foram perdidas porque países- membros da ONU têm desconfiança mútua e por conta de preocupações com soberania nacional.

Ao lembrar que estas preocupações são compreensíveis, num mundo onde o poder é desigual e princípios têm sido aplicados seletivamente, ele destacou que a prevenção nunca deveria ser usada para servir a outros objetivos políticos. “Ao contrário, a prevenção é melhor usada por fortes estados soberanos, que atuem pelo bem das pessoas.”

Guterres sublinhou ainda que a prevenção deve ser constantemente vista como um valor em si mesmo. “É um modo essencial de reduzir o sofrimento humano e de garantir que as pessoas alcancem o seu potencial pleno”, disse. “Desacordos do passado não podem impedir que atuemos hoje”, lembrou. Ele disse ainda que está disposto a promover relações de confiança e melhorar a comunicação com o Conselho de Segurança, com consistência, franqueza e transparência.

Guterres repetiu o apelo para a paz feito logo depois da posse: “Achei que seria ingênuo dizer que 2017 precisa ser o ano da paz, mas pelo menos é nossa obrigação fazer tudo o que for possível para transformá-lo no ano para a paz”.

Em encontro com a imprensa ao final da participação, Guterres foi incisivo: “Prevenção não é apenas fazer alguma diplomacia para evitar conflitos. É criar condições para o desenvolvimento sustentável, que seja inclusivo e reduza as desigualdades. É criar condições para o respeito aos direitos humanos, é criar condições para que a coesão da sociedade seja reforçada. É criar condições para que as pessoas sejam capazes de viver com as outras, respeitem as outras e evitar o tipo de tensão que gera conflito no mundo. Por isso precisamos estar unidos”.

O debate foi convocado pela Suécia, que detém a presidência do Conselho de Segurança no mês de janeiro, e contou com a participação de diversos ministros de Estado.

(Na imagem de capa do vídeo: António Guterres (ao centro) fala ao Conselho de Segurança da ONU no primeiro encontro como secretário-geral. À direita, Margot Wallström, da Suécia, que preside o Conselho no mês de janeiro. Foto: ONU/Rick Bajornas)


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