Em países em desenvolvimento, 214 milhões de mulheres não têm acesso a métodos contraceptivos

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

É o que revela um estudo divulgado nesta semana (29) pelo Guttmacher Institute. Documento alerta ainda que, em 2017, 50 milhões de mulheres grávidas no mundo farão menos de quatro visitas de acompanhamento pré-natal e 35 milhões não darão à luz em uma unidade de saúde. Para o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), gestações devem ser desejadas, planejadas e seguras.

Foto: Prefeitura de Olinda / Fernanda Mafra

Foto: Prefeitura de Olinda / Fernanda Mafra

Nos países em desenvolvimento, 214 milhões de mulheres querem evitar a gravidez, mas, por diversas razões, não fazem uso de métodos contraceptivos modernos. É o que revela um estudo divulgado nesta semana (29) pelo Guttmacher Institute. Organismo avalia que, nessas nações, demandas por contracepção, bem como por serviços de saúde materna e neonatal não estão sendo atendidas.

Segundo o levantamento, em 2017, 50 milhões de mulheres grávidas no mundo farão menos de quatro visitas de acompanhamento pré-natal e 35 milhões não darão à luz em uma unidade de saúde. Para atender a demanda por métodos contraceptivos e saúde materna e neonatal nas regiões em desenvolvimento, seriam necessários US$ 52,5 bilhões de dólares anualmente, ou 8,39 dólares por pessoa.

Apesar dos desafios de saúde pública, o relatório “Adding It Up: Investing in Contraception and Maternal and Newborn Health, 2017” (Investindo em contracepção e saúde materna e neonatal) também revela um aumento estável no uso de métodos contraceptivos modernos em países em desenvolvimento, mesmo com o crescimento do número de mulheres em idade reprodutiva.

O resultado foi uma queda ao longo dos últimos três anos na demanda não atendida por contracepção – em 2014, eram 225 milhões de mulheres sem acesso a métodos de prevenção da gravidez. Entretanto, investimentos em planejamento reprodutivo são descritos pelo relatório como essenciais para manter esses ganhos e ampliar o progresso.

Mulheres com demandas por contracepção não atendidas representam 84% das gestações não planejadas nos países em desenvolvimento, revela o relatório. O estudo também aponta que, entre as mulheres que terão filhos em 2017, nessas mesmas nações, somente 61% terão passado por quatro ou mais atendimentos pré-natais e 27% não farão seus partos em unidades de saúde.

Existem grandes disparidades entre regiões: as taxas apresentadas são piores na África, onde menos da metade das mulheres grávidas fazem quatro ou mais visitas de atendimento pré-natal e um pouco mais da metade têm seus filhos em unidades de saúde. Em contrapartida, na América Latina e Caribe, aproximadamente 90% das mulheres têm quatro ou mais atendimentos pré-natais e mais de 90% têm seus filhos em centros de saúde.

Investimentos

Para atender a demanda por métodos contraceptivos e por serviços de saúde materna e neonatal nas regiões em desenvolvimento, seriam necessários 52,5 bilhões de dólares anualmente, ou 8,39 dólares por pessoa. A nova pesquisa mostra que estes investimentos são vantajosos economicamente: investir em contraceptivos faz com que o custo dos cuidados com saúde materna e neonatal sejam menores, uma vez que há uma diminuição do número de gestações não planejadas.

Para cada dólar gasto em contraceptivos, 2,30 dólares são economizados no custo dos cuidados relacionados à gravidez, estima o Guttmacher Institute.

“Investir em contraceptivos e saúde materna e neonatal tem um ótimo impacto em prevenir mortes desnecessárias de mães e recém-nascidos”, afirma a Dr.ª Jacqueline E. Darroch, principal autora do estudo. “Com o investimento de 8,39 dólares por pessoa, os índices de mortalidade materna poderiam decrescer para um quarto dos níveis atuais e, em relação a mortes neonatais, o número cairia para um quinto das taxas atuais.”

O impacto dos investimentos teria um grande alcance, levando a:

• Menos 67 milhões de gestações não desejadas (queda de 75%);

• Menos 23 milhões de nascimentos não planejados (queda de 76%);

• Menos 36 milhões de abortos induzidos (queda de 74%);

• Menos 2,2 milhões de mortes neonatais (queda de 80%);

• Menos 224 mil mortes maternas (queda de 73%).

Além disso, investir nesses serviços traria benefícios sociais e econômicos para as mulheres, seus parceiros e parceiras, suas famílias e para a sociedade. Avanços incluem melhoras na educação de mulheres e crianças, aumento nos rendimentos e redução da pobreza.

Pesquisas anteriores concluíram que mulheres usam diversas justificativas para o não uso dos métodos contraceptivos, como a preocupação em relação a efeitos colaterais e riscos à saúde e a crença de que não estão sujeitas a ficarem grávidas por não manterem relações sexuais com frequência. Esta situação indica que contraceptivos de qualidade e aconselhamento ao planejamento reprodutivo são urgentemente necessários.

UNFPA lembra contexto brasileiro

No Brasil, estimativas coletadas pelo governo e pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) indicam que a demanda não atendida por contraceptivos se encontre entre os 6% e 7,7%, afetando aproximadamente de 3,5 a 4,2 milhões de mulheres em idade reprodutiva.

Do total de nascimentos ocorridos nos últimos cinco anos, apenas 54% foram planejados para aquele momento. Entre os 46% restantes, 28% eram desejados para mais tarde e 18% não foram desejados.

O UNFPA considera que a gravidez não planejada, especialmente na adolescência, está associada a desigualdades mais amplas que afetam principalmente as mulheres dos estratos sociais mais vulneráveis. A agência da ONU defende que todas as gestações sejam desejadas e que todos os partos sejam seguros.


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