Em negociações no Cazaquistão, enviado da ONU pede supervisão do cessar-fogo na Síria

Na ocasião das negociações para ampliar o cessar-fogo na Síria, iniciadas na segunda-feira (23), o enviado especial da ONU para o país, Staffan de Mistura, destacou a necessidade de um mecanismo para supervisionar e implementar o fim das hostilidades.

Menino refugiado da guerra da Síria vivendo no campo de Kawergosk, a oeste de Erbil, no Iraque. Foto: UNICEF/Romenzi (arquivo de 2013)

Menino refugiado da guerra da Síria vivendo no campo de Kawergosk, a oeste de Erbil, no Iraque. Foto: UNICEF/Romenzi (arquivo de 2013)

Na ocasião das negociações para ampliar o cessar-fogo na Síria, iniciadas na segunda-feira (23), o enviado especial da ONU para o país, Staffan de Mistura, destacou a necessidade de um mecanismo para supervisionar e implementar o fim das hostilidades.

“As chances de sucesso serão maiores se as partes concordarem com um mecanismo para supervisionar e implementar um cessar-fogo nacional. Um mecanismo para trabalhar pelo fim das hostilidades em todo o país. Nós não tínhamos isso no passado. Essa é a razão pela qual muitas vezes falhamos”, sublinhou.

O enviado especial encorajou os responsáveis pelo cessar-fogo a criar o instrumento para “ver o que mais pode ser feito para construir a confiança no país”. Ele reiterou ainda que a única maneira de acabar com o conflito e assegurar uma solução política é através da negociação entre os sírios.

“Acredito que, ao reforçar o cessar-fogo na reunião de Astana, poderemos ver em Genebra verdadeiras negociações intra Síria”, afirmou, referindo-se às conversações de 8 de fevereiro sob os auspícios da ONU.

“Espero que as negociações diretas entre as delegações habilitadas e inclusivas do governo e da oposição aconteçam, que incluem questões de governança, constituição e eleições no contexto da resolução 2254 (2015) do Conselho de Segurança”, acrescentou.

O enviado da ONU também elogiou o cessar-fogo iniciado em dezembro pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, e pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e incitou outros a se unirem à medida.

“Todos os outros grupos de oposição armados não filiados a organizações terroristas designadas como tais pelo Conselho de Segurança, além de grupos aliados do governo, devem também ouvir o apelo e respeitar o cessar-fogo”, frisou.

“A proteção dos civis deve ser uma prioridade crucial”, continuou, pedindo igualmente a defesa das infraestruturas, incluindo escolas, hospitais, redes de água e eletricidade e regiões de mercados.

A reunião — convocada por Irã, Rússia e Turquia, com um representante dos Estados Unidos presente como observador — termina nesta terça-feira (24).