Em Nairóbi, chefe da ONU celebra Dia das Mulheres e elogia Quênia por multilateralismo

A riqueza, o bem-estar e a prosperidade dos países dependem da plena integração das mulheres no processo de desenvolvimento, disse o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em visita a Nairóbi, no Quênia, onde celebrou o Dia Internacional das Mulheres (8).

O chefe da ONU também visitou a Somália, expressando “profunda solidariedade com o povo somali”. No país africano, cerca de 6,2 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária, incluindo 330 mil crianças que sofrem de desnutrição aguda.

Secretário-geral da ONU se reúne com jovens líderes e mulheres na favela de Mathare, em Nairóbi, no Quênia. Foto: ONU-Habitat/Julius Mwelu

Secretário-geral da ONU se reúne com jovens líderes e mulheres na favela de Mathare, em Nairóbi, no Quênia. Foto: ONU-Habitat/Julius Mwelu

A riqueza, o bem-estar e a prosperidade dos países dependem da plena integração das mulheres no processo de desenvolvimento, advertiu o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em visita a Nairóbi, no Quênia, para celebrar o Dia Internacional das Mulheres (8).

Falando em um evento ao lado da primeira-dama do país, Guterres disse a centenas de mulheres que todos os esforços tinham de ser feitos para finalmente derrotar a cultura dominada pelos homens e para se alcançar a igualdade de gênero.

“A verdade é que no norte e no sul, no leste e no oeste, em todos os lugares do mundo, ainda temos uma cultura dominada pelos homens”, destacou.

“Neste contexto da persistente cultura dominada pelos homens e da violação dos direitos humanos das mulheres, precisamos de políticas de igualdade de gênero e de proteção das mulheres em situações vulneráveis, mas a chave é o nosso forte compromisso com o empoderamento das mulheres e meninas em nossas sociedades”, acrescentou.

Lembrando sobre os três pilares da ONU – direitos humanos, paz e segurança e desenvolvimento –, Guterres afirmou que é mais fácil prevenir os conflitos quando há mulheres plenamente capacitadas na sociedade, bem como resolvê-los quando elas participam plenamente do processo de resolução.

Ele também teve a oportunidade de visitar uma série de projetos de campo nas favelas de Mathare, incluindo um programa de capacitação de mulheres dirigido pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), e um projeto da ONU Mulheres para incentivar a participação política das representantes femininas.

Na ocasião, ele ouviu um grupo de mulheres que decidiram trabalhar, muitas vezes contra grandes probabilidades.

Durante a visita, o dirigente máximo da ONU ainda se reuniu o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta. Após o encontro, ele afirmou que a narrativa da ONU sobre a África nem sempre foi a mais correta, estando muitas vezes concentrada na crise.

“Embora haja crises no continente, como há na Europa, na Ásia e em outros lugares, a África precisa ser vista cada vez mais como uma terra de conquista e de oportunidades”, disse, afirmando que o Quênia é o símbolo desse espírito e expressando o apoio da ONU com o governo e o povo do país em relação à seca que afetou a região.

“Espero que a comunidade internacional seja capaz de igualar a generosidade que os quenianos sempre demonstraram, nomeadamente em relação aos refugiados, e apoiar o Quênia agora que a seca foi prolongada de tal forma que, naturalmente, os recursos do país são insuficientes”, sublinhou.

Cerca de 6,2 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária na Somália

Em visita à cidade somali de Baidoa na terça-feira (7), o secretário-geral da ONU visitou um acampamento onde vivem aproximadamente 700 pessoas. Elas foram forçadas a deixar aldeias rurais desde fevereiro de 2014.

António Guterres ouviu homens, mulheres e crianças que tiveram de ir a Baidoa buscar comida e água. Algumas delas haviam retornado do campo de Dadaab, no Quênia, e foram forçadas a se deslocar mais uma vez por conta da seca.

Mulheres e crianças deslocadas pela seca na Somália. Foto: ONU/Laura Gelbert

Mulheres e crianças deslocadas pela seca na Somália. Foto: ONU/Laura Gelbert

A visita do chefe das Nações Unidas ao país africano buscou expressar “profunda solidariedade com o povo somali”. Cerca de 6,2 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária na Somália, incluindo 330 mil crianças que sofrem de desnutrição aguda.

A outra preocupação é a subida de casos do cólera. Nos últimos dois meses, 7.731 pessoas foram infectadas e 183 morreram.

O secretário-geral visitou um hospital onde estão sendo tratados pacientes da doença. Segundo o diretor da instituição, das 73 pessoas sendo tratadas para a doença, 24 são crianças com menos de cinco anos.

A ONU e parceiros humanitários fizeram um apelo de 825 milhões de dólares para apoiar 5, 5 milhões de somalis afetados pela grave seca nos próximos seis meses. Guterres disse que ainda há “chance de evitar o pior”.