Em Moçambique, mulheres reúnem-se pela igualdade de gênero no campo

Trabalhadoras rurais de Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e Portugal reúnem-se em Maputo, capital moçambicana, para discutir uma agenda internacional de luta pelo empoderamento das mulheres do campo.

“Elas fazem parte de um dos grupos em situação de maior vulnerabilidade que, ao mesmo tempo, são agentes centrais para a erradicação da pobreza e promoção da segurança alimentar e nutricional”, disse Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

Marcha das Margaridas de Brasília em 2015. Foto: ONU Mulheres/Isabel Clavelin

Marcha das Margaridas de Brasília em 2015. Foto: ONU Mulheres/Isabel Clavelin

Trabalhadoras rurais de Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e Portugal estão reunidas desde quinta-feira (20) em Maputo, capital moçambicana, para a oficina “Organização e luta das mulheres rurais africanas e Países de Língua Portuguesa”.

O Brasil está representado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), uma das entidades articuladoras da Marcha das Margaridas.

Um dos pontos altos da oficina será a definição de plano de mobilização e incidência da Rede Margaridas do Mundo. Constituída em 2015, a rede é formada por 17 países com foco nas demandas das mulheres do campo, da floresta, das águas e das cidades.

Os países que compõem a rede são Brasil, Chile, Panamá, Equador, Peru, Uruguai, Moçambique, Paraguai, Guatemala, México, El Salvador, Bolívia, Costa Rica, Honduras, Argentina, Venezuela e Colômbia.

O encontro em Maputo tem como objetivo discussões e articulação de uma pauta internacional das mulheres rurais, sendo um ponto inicial o processo preparatório para a 62ª Sessão da Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres (CSW62). Prevista para março de 2018, a sessão tem como tema prioritário os “Desafios e oportunidades no alcance da igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres e meninas rurais”.

“O empoderamento das mulheres rurais é decisivo para a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, adotada pelos Estados-membros da ONU. Elas fazem parte de um dos grupos em situação de maior vulnerabilidade que, ao mesmo tempo, são agentes centrais para a erradicação da pobreza e promoção da segurança alimentar e nutricional”, disse Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

Ao longo de dois dias, o encontro abordará a situação das mulheres rurais africanas e fará uma análise comparativa das frentes de incidência política das mulheres africanas e dos países de língua portuguesa para a superação das desigualdades de gênero.

Cooperação Sul-Sul

A oficina “Organização e luta das mulheres rurais africanas e Países de Língua Portuguesa” é parte do projeto “Brasil e África: Lutar contra a pobreza e empoderar as mulheres via Cooperação Sul-Sul”, implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), pelo Centro Internacional de Políticas para Crescimento Inclusivo (IPC-IG), pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e ONU Mulheres.

A cooperação estabelece a parceria entre governos e organizações de sociedade civil dos países e outros atores locais interessados, por meio da criação de novos programas e iniciativas de políticas públicas e do fortalecimento e aprimoramento dos programas e iniciativas existentes.

A cooperação tem como propósito aumentar o engajamento do Brasil em parcerias internacionais de cooperação para o desenvolvimento com Países de Baixa Renda (PBR) na África e contribuir para a erradicação da pobreza e ao desenvolvimento socioeconômico inclusivo nos países-alvo, promovendo também a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres, com enfoque no fim da violência contra as mulheres e em sua inclusão econômica.