Em mensagem, Ban pede manutenção dos direitos do povo palestino

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta terça-feira (29) a manutenção dos direitos dos palestinos, no Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino. Ele lembrou que as Nações Unidas, a União Europeia, a Rússia e os Estados Unidos seguem comprometidos para implementar recomendações que levem a paz à região.

Crianças palestinas na Faixa de Gaza. Foto: ONU/Milton Grant

Crianças palestinas na Faixa de Gaza. Foto: ONU/Milton Grant

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta terça-feira (29) a manutenção dos direitos dos palestinos, no Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino. Ele lembrou que as Nações Unidas, a União Europeia, a Rússia e os Estados Unidos seguem comprometidos para implementar recomendações que levem a paz à região.

Confira a íntegra da mensagem abaixo:

O conflito Israel-Palestino não é apenas um dos muitos conflitos na região. Sob vários aspectos, é o conflito mais duradouro, abrindo uma ferida que tem alimentado a tensão e o conflito em todo o Oriente Médio.

Os líderes israelenses e palestinos ainda dão seu apoio para a solução de dois estados. No entanto, sem medidas urgentes que reavivem a perspectiva política, correm o risco de consolidar uma realidade de um estado único. Os últimos anos testemunharam duas tentativas fracassadas de negociar um acordo de paz, três conflitos armados, milhares de mortos – a vasta maioria de civis palestinos -, incitamento desenfreado, ataques, milhares de mísseis e bombas disparados de Gaza contra Israel, com uma iniciativa ampla de Israel de um acordo ilegal que coloca em risco e enfraquece os valores democráticos de Israel e o caráter da sua sociedade. Neste ano, o número de demolições de casas e outras estruturas palestinas por parte das forças israelenses dobraram, se comparado a 2015. Gaza permanece uma emergência humanitária, com 2 milhões de palestinos lutando para sobreviver com infraestrutura em ruínas e uma economia paralisada, dezenas de milhares desabrigados, aguardando a reconstrução de casas destruídas pelo conflito.

Tudo isto leva a mais raiva e frustração entre os palestinos e uma profunda desilusão entre os israelenses. Isto tem fortalecido os radicais e enfraquecido os moderados dos dois lados. Piorar as coisas é um vácuo perigoso na comunidade internacional porque qualquer crise exige a atenção dos líderes mundiais. Divisões e lutas internas na Cisjordânia acrescentam novas preocupações à paralisante falta de unidade palestina, além de minar a democracia e o estabelecimento da lei. Com a ocupação de Israel se aproximando do 50º ano, e a perspectiva de uma solução de dois estados sob ameaça de fugir do alcance, a comunidade internacional precisa deixar claro que continua comprometida em ajudar os envolvidos em reconstruir a confiança e criar condições para negociações significativas.

Os passos necessários para criar condições para negociações bem sucedidas foram expostos num recente relatório do Quarteto para o Oriente Médio. As Nações Unidas, assim como nossos parceiros no Quarteto – a União Europeia, a Rússia e os Estados Unidos – permanecem comprometidos em trabalhar com os principais envolvidos, incluindo países da região, para implementar as recomendações do relatório. Neste Dia Internacional de Solidariedade ao povo Palestino, vamos reafirmar nosso compromisso em manter os direitos do povo palestino e trabalhar para construir um futuro de paz, justiça, segurança e dignidade para palestinos e israelenses.

UNESCO: educação para a paz

Também por ocasião da data internacional, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, afirmou que “a construção da paz (entre os dois Estados) exige o respeito absoluto aos direitos fundamentais do povo palestino ao reconhecimento de sua história e cultura”.

A dirigente lembrou que a Palestina é um membro da UNESCO desde 2011. O organismo lidera o departamento de educação da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) e, desde 2010, tem promovido reformas curriculares para levar formação de qualidade aos palestinos em idade escolar.

Segundo Bokova, a aprendizagem nos centros de ensino da ONU é orientada para a transmissão dos valores do respeito, confiança e desenvolvimento.

A chefe da UNESCO disse ainda que trabalha para melhorar a segurança das escolas e dos estabelecimentos de ensino superior, além de apoiar a preservação de sítios culturais, alguns dos quais estão inscritos na Lista do Patrimônio Mundial. São os casos do local de nascimento de Jesus, a Rota de Peregrinação, em Belém, e a Paisagem Cultural de Jerusalém do Sul, em Battir.

Bokova também frisou que um futuro de paz exige o pleno reconhecimento dos direitos, culturas e histórias de todos os povos da região.