Em meio a seca e violência, fome aumenta na Somália e no Sudão do Sul

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Segundo a ONU, a situação na Somália está mudando muito rapidamente, com 6,2 milhões de pessoas em necessidade de comida e água e em risco de contrair o cólera e sarampo.

A escala das necessidades no Sudão do Sul é ainda maior, com 7,5 milhões de pessoas precisando de assistência humanitária, cerca de metade delas deslocadas dentro do país ou como refugiados em nações vizinhas.

Angelina Nyanin, 25, segura sua sobrinha, Nyalel Gatcauk, 2, que sofre de malnutrição; ao seu lado, uma nutricionista do UNICEF alimenta o bebê com uma pasta à base de amendoim para o tratamento da desnutrição aguda grave. Foto: UNICEF/Modola

Angelina Nyanin, 25, segura sua sobrinha, Nyalel Gatcauk, 2, que sofre de malnutrição; ao seu lado, uma nutricionista do UNICEF alimenta o bebê com uma pasta à base de amendoim para o tratamento da desnutrição aguda grave. Foto: UNICEF/Modola

Milhões de pessoas estão enfrentando o perigo da fome na Somália e no Sudão do Sul, e a situação deve piorar à medida que a seca e a violência aumentam as crises.

O alerta é de representantes de organismos da ONU, que fizeram uma visita de emergência aos dois países para avaliar a situação e mobilizar todo o apoio possível às regiões mais afetadas.

De acordo com o diretor de operações do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging, a situação na Somália está mudando muito rapidamente, com 6,2 milhões de pessoas em necessidade de comida e água e em risco de contrair o cólera e sarampo.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) destacou que mais de 200 mil crianças somalis já enfrentam uma grave desnutrição, que deverá piorar à medida que as chuvas cessarem nos próximos meses.

Mulher com seus filhos em um estabelecimento para pessoas internamente deslocadas em Baidoa, na Somália. Foto: ONU / Runa A

Mulher com seus filhos em um estabelecimento para pessoas internamente deslocadas em Baidoa, na Somália. Foto: ONU / Runa A

A agência da ONU também expressou preocupação com o cólera, observando um aumento de 700% nos casos da doença em relação ao mesmo período do ano passado na nação do Chifre da África.

“Minha impressão geral da resposta na Somália é que as necessidades estão aumentando muito rapidamente, mas a resposta está atualmente acompanhando essas necessidades. Isso não significa que devemos ser complacentes, mas, sim, que temos a equipe certa no terreno fazendo um trabalho extraordinário”, disse John Ging, que liderou um time que contou com representantes do UNICEF, do Fundo de População da ONU (UNFPA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Ele afirmou que os doadores financiaram 70% do apelo humanitário de 825 milhões de dólares para a Somália. O pedido foi classificando por Ging como “sem precedentes”.

No entanto, o financiamento bem-sucedido da Somália contrasta com o do Sudão do Sul. Somente 27% do apelo de 1,6 bilhão para o país foi atingido até o momento.

Grupo de crianças no local de proteção de civis da Missão da ONU em Bentiu, no estado de Unity, Sudão do Sul. Foto: ONU/JC McIlwaine

Grupo de crianças no local de proteção de civis da Missão da ONU em Bentiu, no estado de Unity, Sudão do Sul. Foto: ONU/JC McIlwaine

Segundo os representantes das agências da ONU, a escala das necessidades no Sudão do Sul é ainda maior, com 7,5 milhões de pessoas precisando de assistência humanitária – cerca de metade delas deslocadas dentro do país ou como refugiados em nações vizinhas.

Além disso, o país é agora considerado um dos locais mais perigosos para trabalhadores humanitários. Desde o último surto de violência na região, 82 trabalhadores humanitários foram mortos – nove apenas no mês passado.

Conforme observou o chefe de resposta humanitária do UNFPA, Ugochi Daniels, a violência sexual contra meninas e mulheres no Sudão do Sul também é especialmente grave, com crianças muito mais jovens e mulheres idosas sendo atacadas.


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