Em meio a ruínas da guerra em Mossul, moradores começam a reconstruir suas vidas

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No ano passado, enquanto a batalha de Mossul, no Iraque, devastava tudo ao seu redor, Rabah Mahmoud Ali e sua família foram expulsos de casa por militantes armados. Depois que as forças iraquianas retomaram o controle da cidade, eles retornaram e se defrontaram com uma triste realidade: o telhado e o primeiro piso de sua casa haviam sido danificados por bombas, seus pertences saqueados e todas as vidraças estavam quebradas. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Rabah Mahmoud Ali (à direita) e sua família ao lado de fora da casa destruída no leste de Mossul, no Iraque. Foto: ACNUR/Caroline Gluck.

Rabah Mahmoud Ali (à direita) e sua família ao lado de fora da casa destruída no leste de Mossul, no Iraque. Foto: ACNUR/Caroline Gluck.

No ano passado, enquanto a batalha de Mossul, no Iraque, devastava tudo ao seu redor, Rabah Mahmoud Ali e sua família foram expulsos de casa por militantes armados. Depois que as forças iraquianas retomaram o controle da cidade, eles retornaram e se defrontaram com uma triste realidade: o telhado e o primeiro piso de sua casa haviam sido danificados por bombas, seus pertences saqueados e todas as vidraças estavam quebradas.

Porém, determinados em retomar sua antiga vida, Ali pegou dinheiro emprestado e montou uma equipe de operários para reparar os danos. “Me endividei para realizar essa obra, mas estou otimista em relação ao futuro”, diz.

O governo iraquiano declarou vitória em Mossul em 9 de julho. O professor de física de 58 anos está entre as dezenas de milhares de residentes da segunda maior cidade do Iraque que está voltando para casa, reabrindo seus negócios e retomando suas vidas.

De acordo com números divulgados pelo governo iraquiano, 176.150 homens, mulheres e crianças foram deslocados da parte leste de Mossul depois que as forças iraquianas iniciaram a operação para a retomada da cidade. Mas desde que as tropas retomaram o controle, cerca de 90% dos residentes deslocados – ou 157.341 pessoas – retornaram aos seus locais de origem.

Quando militantes tomaram Mossul, em 2014, começaram a fechar ou a colocar as escolas sob seu controle e a implementar seu próprio currículo. A maioria dos pais retirou seus filhos das escolas temendo que eles fossem doutrinados por influências extremistas – embora agora as escolas locais estejam voltando ao normal.

Ali está satisfeito por poder voltar a dar aulas e disse que seus alunos estavam loucos para voltar a estudar. “Posso ver nos olhos deles o quanto estão determinados a aprender e se tornarem bons alunos”, ele conta. “É como se as pessoas estivessem recomeçando suas vidas”.

Os violentos conflitos deixaram muitas ruas de Mossul em ruínas. Mas os danos na parte leste da cidade não foram tão severos. No al-Khadra, a maioria das famílias já retornou e está reparando ou reconstruindo propriedades e negócios destruídos.

Um senso de normalidade volta à região, a população dobrou, afirma uma funcionária da Mercy Hands for Humanitarian Aid, uma organização parceira do ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados.

Recentemente, muitas famílias têm chegado do oeste de Mossul. São pessoas que optaram por se mudar para parentes ou amigos no leste da cidade, em vez de se mudar para os campos.

Entre aqueles que se abrigam no leste de Mossul, está o ex-dono do restaurante Taysir Mohammed Mahmoud, que recentemente chegou com sua esposa, dois filhos, irmão e mãe.

Mahmoud disse que a família, originalmente da cidade velha, foi usada como escudo humano por militantes, e que foi forçada a se deslocar para outra área onde moraram com mais dez famílias por cinco meses.

“Graças a Deus estamos aqui. Celebraremos como se fosse um novo aniversário. E uma das primeiras coisas que fiz foi me barbear”, diz Mahmoud, que perdeu seu lar no conflito. “Mas precisaremos de ajuda… muita ajuda para voltar e para restabelecer nossos negócios”, completou.

Muitas lojas e mercados ao leste de Mossul reabriram, incluindo cafés, tabacarias, lojas de móveis e salões de beleza. Na esquina da rua, um grupo de pessoas se reuniu em um local que estava sendo reformado. “Estamos planejando reconstruir quatro lojas e a nossa casa nos fundos”, diz Ayad Ahmed Ali, de 25 anos.

“Vai nos custar muito caro – cerca de 200 milhões de dinares iraquianos (170 mil dólares) – e ficaremos endividados; mas existem cinco famílias vivendo conosco. Estamos espalhados, por diversos lugares agora, mas queremos voltar aqui e viver juntos. E todos nós precisamos de empregos”, diz ele.

Ali diz que a construção provavelmente levará alguns meses. Mas, ele acredita que esforços como este enviarão uma importante mensagem aos grupos extremistas que uma vez dominaram a região.

“Todos esperamos e queremos que Mossul seja restabelecida”, afirma. “O que estamos fazendo agora é um sinal, um desafio para os extremistas. Estamos determinados a reconstruir e combater a destruição”.


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