Em meio a ‘deterioração dramática’ na RD Congo, ONU e parceiros lançam pedido de ajuda humanitária

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Alertando sobre uma “dramática deterioração” na crise humanitária da República Democrática do Congo (RDC) nos últimos 12 meses, agências das Nações Unidas e parceiros humanitários lançaram o maior pedido de financiamento já feito em toda a história para o vasto país da África Central.

De acordo com o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA), o apelo de 2018 – US$ 1,68 bilhão – visa alcançar 10,5 milhões de pessoas vulneráveis em todo o país, onde mais de 13 milhões precisam de assistência.

A maioria das famílias que fogem para Kananga, na província do sudoeste de Kasai-Central, na República Democrática do Congo, sofre com uma árdua caminhada de uma semana. Eles embalam seus pertences e colocam as crianças em bicicletas em busca de segurança. Foto: OCHA/Otto Bakano

A maioria das famílias que fogem para Kananga, na província do sudoeste de Kasai-Central, na República Democrática do Congo, sofre com uma árdua caminhada de uma semana. Eles embalam seus pertences e colocam as crianças em bicicletas em busca de segurança. Foto: OCHA/Otto Bakano

Alertando sobre uma “dramática deterioração” na crise humanitária da República Democrática do Congo (RDC) nos últimos 12 meses, agências das Nações Unidas e parceiros humanitários lançaram nesta quinta-feira (18) o maior pedido de financiamento já feito em toda a história para o vasto país da África Central.

De acordo com o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA), o apelo de 2018 – US$ 1,68 bilhão – visa alcançar 10,5 milhões de pessoas vulneráveis em todo o país, onde mais de 13 milhões precisam de assistência.

“O ano passado foi um dos mais difíceis para milhões de civis, com um ciclo implacável de violência, doenças, desnutrição e perda de meios de subsistência, causando um impacto nas famílias”, disse Kim Bolduc, coordenador humanitário na RDC, durante o lançamento do pedido de recursos na quinta-feira, na capital Kinshasa.

“Este apelo reflete a magnitude, severidade e imprevisibilidade de uma crise que durou muito tempo. Estamos lidando com uma das maiores, mais profundas e mais complexas crises humanitárias do mundo.”

De acordo com o OCHA, existem atualmente cerca de 4,3 milhões de pessoas internamente deslocadas – ou IDP na sigla em inglês, pessoas que não cruzaram uma fronteira nacional – em toda a região do RDC. Este é o maior número do tipo em toda a África, e o país também lidera os números em relação ao pior surto de cólera nos últimos 15 anos.

Na frente da alimentação e nutrição, mais de 7,7 milhões de pessoas sofrem com a insegurança alimentar, um aumento de 30% em relação ao ano anterior. Um total de 4 milhões de crianças menores de cinco anos estão em risco de desnutrição aguda.

Pior ainda é o fato de que as operações de ajuda no país sofrem com um subfinanciamento severo: apenas metade da resposta humanitária de US$ 812,5 milhões para 2017 foi financiada.

Mulheres se reúnem em um ponto de distribuição de alimentos em Nyanzale, em Kivu do Norte, na República Democrática do Congo. A distribuição destina-se às famílias mais vulneráveis e atende cerca de 30% de todas as famílias deslocadas. Foto: OCHA/Ivo Brandau

Mulheres se reúnem em um ponto de distribuição de alimentos em Nyanzale, em Kivu do Norte, na República Democrática do Congo. A distribuição destina-se às famílias mais vulneráveis e atende cerca de 30% de todas as famílias deslocadas. Foto: OCHA/Ivo Brandau

“Sem o apoio essencial da comunidade humanitária, a sobrevivência de milhares de pessoas está em risco e as esperanças de uma recuperação precoce serão desfeitas”, sublinhou Bolduc. “Devemos garantir fundos suficientes para lidar com a magnitude da crise.”

Nesta semana, a agência de migrações das Nações Unidas também enfatizou que a situação humanitária “piorou de forma dramática no último ano devido à escalada do conflito”.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a violência se espalhou para áreas antes consideradas estáveis, como as províncias de Kasai e Tanganyika. Enchentes que causaram mortes e um surto de cólera pioraram a situação.

A agência está buscando, com urgência, US$ 75 milhões para atender congoleses deslocados e as comunidades que os recebem nas províncias de Kivu do Sul, Tanganyika e Kasai.


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