Em meio à crescente violência na Líbia, ONU alerta para crise potencial de deslocamento

Agência da ONU pede que países vizinhos abram as portas para os refugiados e que os abriguem até que a situação seja estabilizada.

ACNUDH está preocupado com os atentados contra os direitos humanos, decapitações de ativistas e do recente fechamento da instituição nacional de direitos humanos da Líbia. Foto: UNSMIL/Iason Athanasiadis

ACNUDH está preocupado com os atentados contra os direitos humanos, decapitações de ativistas e do recente fechamento da instituição nacional de direitos humanos da Líbia. Foto: UNSMIL/Iason Athanasiadis

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) expressou na última sexta-feira (14) sua preocupação com o aumento da violência na Líbia, que pode vir a causar um aumento no fluxo de refugiados.

O Conselho de Segurança da ONU e a Missão das Nações Unidas no país (UNSMIL) condenaram as explosões com carros-bomba nas embaixadas do Egito e dos Emirados Árabes Unidos, em Trípoli, na manhã do dia 13 de novembro.

O porta-voz do ACNUDH, Rupert Colville, disse que o escritório está alarmado com os relatos de atentados contra os direitos humanos, decapitações de ativistas e do recente fechamento da instituição nacional de direitos humanos da Líbia, em Trípoli.

“Nós pedimos àqueles que estão no controle de Trípoli para garantir que as instalações do escritório do Conselho [de Liberdades Civis e Direitos Humanos] sejam imediatamente reabertas e que esta instituição-chave seja autorizada a retomar o seu trabalho sem qualquer forma de intimidação ou obstrução”, disse Colville.

O ACNUDH destacou a importância de permitir que o Conselho funcione “bem e de forma independente neste momento em que os líbios estão enfrentando graves violações dos direitos humanos”, disse o porta-voz, acrescentando que a necessidade de um monitoramento independente no país é “crítica”.

ACNUR alerta para novos combates

Um porta-voz da agência de refugiados da ONU (ACNUR) falou sobre a situação no leste, sul e oeste da Líbia, alertando que intensos combates entre grupos armados rivais nas cidades orientais de Benghazi e Derna, bem como em Ubari, no sudeste do país e em Kikla, no oeste, estão alimentando uma crise de deslocamento.

“Pelo menos 106 mil pessoas deixaram suas casas apenas no último mês. Desde maio deste ano já são 393 mil refugiados”, afirmou o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, acrescentando que o clima de insegurança dificulta as operações humanitárias.

“A luta foi intensa em Benghazi, de onde as pessoas fugiram para as cidades vizinhas de Al Marj, Ajdabiya, Al Bayda e Misrata. Estas cidades estão agora a atingir os limites do que elas podem fazer para ajudar os deslocados”, disse Edwards.

O porta-voz do ACNUR comentou sobre o documento de posicionamento da agência perante a situação na Líbia, lançado no último dia 12.

O documento pede a todos os países que permitam a entrada dos refugiados líbios em seus territórios. A agência da ONU insta ainda todos os Estados a suspender retornos forçados ao país até que a situação de segurança e dos direitos humanos melhore consideravelmente.