Em meio a crescente crise humanitária, ONU pede apoio ao Sudão, Sudão do Sul e Somália

Representante do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários visitou a região e conversou com as pessoas sobre a situação em cada local. Nos três países, civis continuam sendo sistematicamente atacados, enquanto trabalhadores humanitários continuam enfrentando um ambiente hostil.

Crianças sul-sudanesas em campo de refugiados no norte do país. Foto: ONU/Martine Perret

Crianças sul-sudanesas em campo de refugiados no norte do país. Foto: ONU/Martine Perret

Alertando para o agravamento da violência e as crises humanitárias em diversas regiões do leste e centro da África, o chefe de Operações do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging, pediu na última quinta-feira (29) apoio adicional para as “pessoas e comunidades que enfrentaram anos de crise” no Sudão, Sudão do Sul e Somália.

“Cada um destes países enfrenta um conjunto único de desafios. Mas, em cada país, falei com pessoas que tiveram que fugir de suas casas repetidamente, em meio às sucessivas ondas de violência. Conheci crianças que cresceram sem saber o que é paz e estabilidade”, disse Ging em uma entrevista coletiva na sede da ONU em Nova York.

Entre os dias 18 e 25 de outubro, ele visitou os três países, acompanhado de representantes dos Estados Unidos, do Reino Unido, da União Europeia e da Holanda. Ging disse que, durante as visitas, ele conversou com pessoas que exigiram coisas simples, como reconstruir suas vidas, educar seus filhos e ter acesso aos cuidados de saúde. O principal pedido, no entanto, e em meio a anos de “violência exaustiva”, era “desesperadamente um fim para os conflitos”.

Apesar dos desafios, acrescentou, ainda há esperança de progresso em cada país.

“No Sudão, o governo indicou uma nova disposição para permitir que os trabalhadores humanitários acessem aqueles que necessitam de ajuda. No Sudão do Sul, a assinatura de um novo acordo de paz fornece uma perspectiva para o fim da violência que tomou conta do país. Na Somália, vimos progresso que muitos descreveram como a melhor chance que o país teve em 25 anos para construir uma paz duradoura”, resumiu.

Ging acrescentou, no entanto, que no Sudão do Sul a violência já se espalhou para a região central do país, atingindo sistematicamente civis. Ele também observou que, somente no estado de Unity Southern, 1,6 mil mulheres foram sequestradas desde maio, mais de mil civis mortos, 1,3 mil mulheres e meninas estupradas e mais de 15 mil crianças recrutadas por grupos armados.

Além disso, ele também alertou para o impacto devastador do fenômeno climático ‘El Niño’ nos próximos meses. De acordo com o OCHA, ele deve causar um aumento de mais de 80% de insegurança alimentar no início de 2016. O número de pessoas com necessidade de assistência alimentar em toda a região deverá aumentar de 12 milhões no início do 2015 para 22,1 milhões no início de 2016, com o conjunto de inundações afetando até 3,5 milhões de pessoas no leste da África.

Além disso, os países da região são altamente perigosos para os trabalhadores humanitários, com pelo menos 10 trabalhadores humanitários mortos na Somália em 2015 e outros 34 mortos no Sudão do Sul desde dezembro de 2013.

O diretor de Operações do OCHA observou que, apesar de tais condições perigosas, os trabalhadores de ajuda humanitária continuam a alcançar milhões de pessoas todos os meses com ajuda essencial para salvar vidas.

“É inspirador testemunhar os esforços que os nossos colegas estão realizando na linha de frente. A comunidade internacional deve continuar a apoiar estes esforços, e permanecer solidária com aqueles que foram vítimas de conflito por muito tempo”, disse Ging.