Em êxodo recorde, 50 mil fogem de Darfur para o vizinho Chade, alerta ACNUR

Depois de novos confrontos tribais, sudaneses vão a pé para o Chade, no que o ACNUR considera como a maior onda migratória para o país em oito anos.

Funcionários do ACNUR se encontram com refugiados sudaneses na cidade de Tissi, no Chade. ACNUR/M. Antoine

Funcionários do ACNUR se encontram com refugiados sudaneses na cidade de Tissi, no Chade. ACNUR/M. Antoine

Cerca de 50 mil pessoas fugiram da região de Darfur, no Sudão, para o país vizisnho Chade devido a novos confrontos tribais no local.

A agência de refugiados das Nações Unidas pediu nesta sexta-feira (12) mais abrigos, água potável, alimentos e medicamentos para o que ela classificou como o maior êxodo de sudaneses para o Chade desde 2005.

“Nossa equipe nos diz que a maioria das pessoas que fugiram do Sudão chegaram a pé, de burro ou em carroças para salvar suas vidas”, disse a porta-voz do Escritório de Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), Melissa Fleming, em Genebra.

“Os refugiados testemunharam suas casas sendo destruídas e aldeias completamente queimadas. Muitos relataram que seus familiares foram mortos nessa última onda de violência”, disse Fleming, acrescentando que as pessoas estão “esgotadas, traumatizadas e visivelmente perturbadas” e que mais confrontos devem acontecer e, consequentemente, deve aumentar o número de refugiados.

Segundo o ACNUR, a maioria dos recém-chegados é composta de mulheres e crianças, que vieram fugindo dos confrontos tribais na cidade sudanesa de Um Dukhun. Nos últimos dois meses, os confrontos já desalojaram mais de 74 mil pessoas no Chade, incluindo sudaneses e chadianos — que viviam como refugiados na zona de conflito.

“Eles não têm água, comida e estão dormindo debaixo de árvores”, disse Fleming sobre os novos refugiados que chegam diariamente.