Em dia mundial, ONU pede mais acesso das pessoas com autismo a tecnologias assistivas

Em mensagem para o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, lembrado nesta terça-feira (2), o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu o uso da tecnologia para promover a inclusão e independência de pessoas que vivem com essa condição neurológica. O dirigente máximo das Nações Unidas enfatizou a necessidade de tornar as chamadas tecnologias assistivas acessíveis para todos.

Crianças com autismo em escola na Espanha. Foto: Observatorio de la Infancia en Andalucía/Creative Commons

Crianças com autismo em escola na Espanha. Foto: Observatorio de la Infancia en Andalucía/Creative Commons

Em mensagem para o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, lembrado nesta terça-feira (2), o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu o uso da tecnologia para promover a inclusão e independência de pessoas que vivem com essa condição neurológica. O dirigente máximo das Nações Unidas enfatizou a necessidade de tornar as chamadas tecnologias assistivas acessíveis para todos.

Guterres afirmou que a data internacional é ocasião “para se manifestar contra a discriminação, celebrar a diversidade da nossa comunidade global e fortalecer o nosso compromisso com a inclusão e participação plenas das pessoas com autismo”.

O autismo é uma condição neurológica que afeta a comunicação e o comportamento social das pessoas.

“Apoiá-las a alcançar o seu pleno potencial é uma parte vital dos nossos esforços para garantir a promessa central da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável: não deixar ninguém para trás”, acrescentou o secretário-geral.

O dirigente disse ainda que o tema do dia mundial para 2019 é “a importância de tecnologias assistivas acessíveis, para ajudar as pessoas com autismo a viver vidas independentes e, de fato, exercer os seus direitos humanos básicos”. “Em todo o mundo, ainda há grandes barreiras no acesso a tais tecnologias, incluindo os custos altos, a indisponibilidade e a falta de conscientização sobre o seu potencial”, disse Guterres.

Em 2018, o secretário-geral lançou uma Estratégia sobre Novas Tecnologias para garantir que dispositivos e ferramentas emergentes estejam alinhados aos valores consagrados na Carta da ONU e em convenções internacionais de direitos humanos, incluindo a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências.

Na sede da ONU, um evento reuniu ativistas, pessoas com autismo e representantes das Nações Unidas para discutir os obstáculos que impedem o acesso às tecnologias assistivas e, consequentemente, à participação na sociedade.

“Essas tecnologias são muito mais do que ferramentas que são úteis ou boas”, afirmou a chefe de Comunicação Global da ONU, Alison Smale. “O acesso confiável a tecnologias assistivas acessíveis é uma questão fundamental de direitos humanos.”

David Savarese em evento na ONU para o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. Foto: ONU/Manuel Elias

David Savarese em evento na ONU para o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. Foto: ONU/Manuel Elias

O painelista David Saverese, que vive com autismo, usou um desses dispositivos para dizer durante o encontro que “a liberdade é (ter) espaço para respirar e crescer”. Segundo o documentarista e graduado pela Universidade de Oberlin, “as pessoas passam tempo demais ouvindo o medo”. “É a esperança e não o medo que impulsiona a autoeficiência”, defendeu o ativista e cineasta.

Sem conseguir se comunicar de forma oral, Saverese usa a tecnologia para se expressar e para mostrar como ela permite às pessoas com autismo “se sentirem mais seguras em sua própria pele”.

“Não é fácil ser auxiliado pelos outros”, afirmou o painelista. Mas quando o trabalho com tecnologias inteligentes ajuda os outros a ler e escrever ou a “seguir seus sonhos”, completou Saverese, ele pode dar uma vida melhor para as pessoas.

Por meio de um dispositivo de comunicação, o ativista Neal Katz ensina mídia para estudantes da Universidade da Califórnia em Los Angeles que vivem com autismo. “Eu me sinto mais humano quando estou no controle”, disse o professor.

“Graças à tecnologia assistiva, estou a salvo de viver uma vida onde outras pessoas me dizem o que fazer e aonde ir”, disse o docente, explicando que, quando ele decide o que quer, “eu pego o meu iPhone e seleciono o ícone correspondente no meu app e lá vou eu”.

Noor Pervez, coordenadora de Engajamento da Comunidade na Rede de Autoconscientização Autista, defendeu que “todo país deve priorizar levar indivíduos que não falam para as conservas que envolvem a gente”. Para a ativista, pessoas com autismo devem “ampliar as nossas vozes”.


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