Em dia mundial, ONU diz que democracias estão sob pressão inédita

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Em mensagem para o Dia Internacional da Democracia, lembrado neste sábado (15), o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que os regimes democráticos estão “sob mais pressão do que em qualquer outra época em décadas”.

Para a UNESCO, data é ocasião de reafirmar o espírito democrático do diálogo, contra a coerção, o uso da força e práticas arbitrárias.

Em mensagem para o Dia Internacional da Democracia, lembrado neste sábado (15), o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que os regimes democráticos estão “sob mais pressão do que em qualquer outra época em décadas”. Para revigorar a democracia, completou o chefe das Nações Unidas, é necessário combater a desigualdade, tanto econômica quanto política.

Segundo o dirigente máximo do organismo internacional, países precisam “tornar nossas democracias mais inclusivas, trazendo os jovens e os marginalizados para o sistema político”.

Guterres enfatizou a importância de questionar por que alguns grupos mais vulneráveis são deixados para trás. “Como construir uma melhor governança para que a democracia ofereça melhores condições de vida e esteja de acordo com as aspirações da população?”, ressaltou.

O secretário-geral também cobrou que governos reflitam sobre como a migração e as mudanças do clima vão afetar as próximas gerações e, consequentemente, os regimes democráticos.
“Neste Dia Internacional da Democracia, comprometamo-nos a unir forças pelo futuro da democracia”, concluiu Guterres.

UNESCO: espírito democrático é instrumento contra a coerção

Também por ocasião da data, a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, lembrou que o espírito democrático se define pela “crença de que se pode obter mais por meio do diálogo, de consultas e da mediação do que por meio da coerção e de práticas arbitrárias”.

“Em resumo, a lei deve prevalecer sobre o uso da força. O ideal democrático está relacionado de forma indissolúvel ao compromisso com a resolução pacífica de conflitos e com o desejo pela paz”, frisou a dirigente.

Azoulay acrescentou que se a cultura, a educação, as ciências, a comunicação e a informação — áreas de trabalho da UNESCO — não contribuírem para a paz e a justiça, “elas perdem a sua essência”.

“O ideal democrático é um incentivo para se trabalhar de forma incansável para garantir mais igualdade, liberdade e justiça, assim como o direito a uma educação de qualidade para todos, à informação, a condições dignas de vida, a um ambiente saudável e ao trabalho decente”, completou a autoridade máxima da agência da ONU.

Segundo a dirigente, “a democracia é um ideal que reconhece que todos os seres humanos têm igual dignidade e as mesmas liberdades fundamentais: liberdade de pensamento, de crença, de expressão e de movimento”. Regimes democráticos, disse ainda Azoulay, definem-se pela presença de uma imprensa livre e independente, por cidadãos ativos e por uma sociedade civil aberta e dinâmica.

A chefe da UNESCO lembrou que, em 2018, completam-se 70 anos da adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O documento afirma os valores na direção dos quais devem caminhar as democracias. “Vamos nos unir para assegurar que a promessa de paz e justiça apoiada pela democracia seja cumprida”, concluiu Azoulay.


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